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sábado, 2 de dezembro de 2023

A libertadora certeza de que não sei de nada

Desde o fim do tempo de escola lembro que passei a me interessar mais por entender como o mundo funcionava. Não tanto o mundo natural, mas o social. Isto me aproximou das ideias políticas, sociais e econômicas, além da história, que diferentemente do que acontecia no período escolar, passou a me atrair de uma forma mais orgânica, de um interesse que realmente vinha do meu ser, e não de um professor ou um ambiente de sala de aula.

Neste tempo, mergulhei principalmente no que chamo de “esquerdosfera”, todo o universo de interpretação dos fatos sociais e históricos sob a ótica da esquerda política e acadêmica, que entendo como tendo sua grande base fundamentada por Marx e Rousseau. Este é o caminho natural de qualquer jovem que se interessa por entender a grande estrutura social em que vive, e é por isso que a grande maioria das pessoas que mergulham um pouco no assunto se tornam o que chamaríamos de “esquerdistas”. A interpretação do mundo pela ótica destas ideias é extremamente atraente, simples de entender e fornecedora de muitas respostas. E como queremos respostas quando estamos curiosos!

Após este período de iniciação passei a me sentir muito seguro sobre vários assuntos e estava mergulhado em idealismo. Porém não é da minha personalidade se acomodar na “segurança”. Aproveitando o primeiro ano na faculdade de economia, passei a me interessar por pensadores que atacavam frontalmente o que eu acreditava, afinal eles deveriam existir, não é mesmo? Foi então que conheci os liberais, cheios de argumentos e ideias muito interessantes que colocavam em dúvida tudo que acreditava. De repente Marx e Rousseau não eram tão grandes assim, e Adam Smith e Hobbes passavam a chamar muita atenção.

Eu poderia passar horas escrevendo sobre todo este conflito de ideias que passei a viver nesta época, mas este não é o assunto do texto. O ponto importante foi que nesta época eu me deparei com uma ideia muito marcante encontrada na mentalidade de muitos liberais, mas de um em especial, Friedrich Hayek, que não era nada mais que uma simples constatação: o conhecimento está disperso na sociedade e indivíduos sabem pouco, muito pouco.

Este pensamento foi um meteoro na minha jornada de compreensão do mundo. Colocado da forma acima, parece simples, mas na verdade ele traz uma série de reflexões sobre o mundo moderno e a “pretensão do conhecimento”, como o próprio Hayek chamava, chegando a escrever um livro intitulado “A Arrogância Fatal”, que em outras coisas descrevia como políticos e planejadores sociais tentavam solucionar os problemas humanos e sociais e quase sempre fracassavam em suas empreitadas, não apenas não solucionando os problemas, como os agravando.

E Hayek não era qualquer pensador, era um ganhador de Prêmio Nobel de Economia. Nada mais nada menos que um vencedor de Prêmio Nobel tinha como uma de suas grandes mensagens, em outras palavras, o seguinte: nós não sabemos nada! É claro que ele não queria dizer que não sabemos nada literalmente, o que ele queria dizer é que vivemos em um mundo complexo, e muitas das ideias decoradas de sofisticado racionalismo não são mais que especulações ou uma parte muito superficial do conhecimento de determinado assunto. Hayek enxergava em nosso tempo uma certa arrogância, uma tendência irresistível das pessoas em querem ser especialistas em assunto que nem os especialistas dominam completamente.

Partindo desta premissa, passei a perceber que aquela máxima popularmente conhecida fazia muito sentido: “quanto mais busco o saber, menos sei”. Ao analisar os assuntos que me dispus a me aprofundar durante toda a minha vida, percebi que quanto mais adentrava naquele campo, mais me sentia ignorante, mais me sentia inseguro sobre a verdade e a exatidão dos fatos. Neste caminho, algo solidificou ainda mais esta ideia em meu íntimo: o estudo da estatística, matéria obrigatória nos cursos de economia. Ao entender como os estudos, pesquisas e levantamento de dados são feitos, ficou ainda mais claro para mim como tudo é tão frágil, tão aberto a interpretações e manipulações, e como nossa sociedade neste século XXI se tornou um show de horrores estatísticos com pessoas de todos os tipos usando dados soltos sobre determinados assuntos para “provarem” seus pontos e posarem de detentoras do conhecimento.

Mais recentemente fiquei estarrecido com a pandemia de Covid-19 que transformou a “ciência” em uma ferramenta de embate político. Milhares de pessoas que mal sabem descrever o que é ciência e método científico, passando a dizer que “acreditam na ciência”, como se a ciência fosse uma fonte de respostas seguras e imutáveis que devem ser assimiladas e aceitas sem questionamentos. Que sacrilégio. Ora, a grande característica da investigação científica é justamente o ceticismo, a insegurança, a cautela nas observações e processamento dos dados. A ciência é tudo de incerteza e praticamente nada de segurança. Conclusões científicas seguras somente são consideradas seguras após um grande período de aceitação unânime, e ainda assim qualquer cientista minimamente honesto sabe que a mais segura das conclusões pode ser desafiada, questionada e refutada, e foi assim que a ciência se desenvolveu durante seus séculos mais nobres em nossa história. Como uma grande arena de batalha, em que visões aceitas eram refutadas e substituídas do dia para a noite. A instabilidade e a imprevisibilidade foram as bases do modelo científico moderno, e foi justamente seu caráter incerto que o tornou alvo de ataques por parte daqueles que desejavam um mundo estável baseado nos preceitos e tradições religiosas.

Então como, diante de todos esses fatos, políticos e pessoas aleatórias sem nenhuma formação científica passaram a dizer que “apoiam a ciência”? Ora, se você apoia a ciência você apoia a incerteza! E não apenas isso, em geral o que observo em nossos dias é uma pretensão do conhecimento implacável a avassaladora nos mais diferentes campos: nutrição, fármacos, atividades físicas, psicologia etc etc. As pessoas hoje em dia estão achando que encontraram as respostas para tudo e que uma está mais certa que a outra. Parece um grande hospício de senhores e senhoras certezas.

Entendam: vocês não sabem de nada! Este mundo e a maioria dos assuntos que vocês discutem é extremamente complexo, as variáveis são muitas, a previsibilidade é quase inexistente, e este é o mundo como ele é. Este lugar incerto que está mais para uma grande aventura, cheia de surpresas que moldarão seu caráter em questão de horas. Libertem-se! Libertem-se da pretensão do conhecimento! Tirem este fardo de suas costas e vivam uma vida leve! Sejam humildes! Abracem o desconhecido! Digam para si mesmos: eu sei pouco, muito pouco, e está tudo bem!

Como é libertador aceitar a imensidão de variáveis desde mundo, do ser-humano, das sociedades humanas, da biologia, da química, da história, da psicologia, da astronomia. Como é fascinante saber tão pouco e poder investigar os fatos sem querer uma resposta final para tudo. A vida é uma grande incerteza, e é nesta incerteza que nos entregamos e mergulhamos na maravilhosa obra do criador. Se ele quisesse que soubéssemos tudo, provavelmente nos faria diferentes, não tão pequenos e limitados.

terça-feira, 6 de junho de 2023

Simplificar sua vida é uma questão de saúde mental

Quando somos crianças os adultos nos colocam para passar várias horas de nossos dias em lugares onde supostamente aprendemos a como entender o mundo, assim como sobreviver nele (pelo menos a intenção é mais ou menos esta). Este lugar se chama escola. Na escola recebemos lições e informações que remetem ao conhecimento adquirido da humanidade até aquele momento. Alguns tendem a acreditar que as principais ferramentas necessárias para esta vida são passadas ali mesmo, bastando a nós apenas adaptar tudo aquilo nas circunstâncias que iremos observar ao longo de nossas jornadas.

O problema desta lógica é que ela parece partir de uma impressão de que o mundo é mais ou menos estável e, portanto, nada de surpreendente ou muito inesperado deverá acontecer. Mas a verdade é que este mundo, assim como esta vida, são consideravelmente imprevisíveis, principalmente no século XXI. Hoje nos deparamos com mudanças aceleradas, todos os dias novas informações, tecnologias e descobertas surgem, deixando-nos um pouco deslocados ante a ausência de um solo firme onde podemos nos sustentar por um longo tempo.

Uma grande mudança que nunca nos prepararam para lidar foi a ascensão imponente e definitiva de uma vida complexa amparada pela popularização da internet e, consequentemente, dos eletrônicos que a operacionalizam, como os smartphones. De repente passamos de uma realidade moderadamente complexa para uma realidade hiper-complexa. Aplicativos, redes sociais, sistemas, ferramentas de comunicação, globalização etc. São vários os elementos que inundaram nosso cotidiano até o cenário atual, e não, nós não estávamos preparados para isto.

Testemunhamos uma escalada do estresse, da ansiedade, da agitação mental e da frustrante sensação de que temos tudo, mas não temos nada, de que somos privilegiados, mas ao mesmo tempo amaldiçoados, de que somos como o Smeagle de “Senhor dos Anéis”, fascinados com os poderes do anel, mas sem perceber o mal que nos faz. Ficamos perdidos neste mar de novidades. E nosso cérebro, coitado, está muito longe de assimilar tudo, até porque talvez nem seja possível.

Nossa incapacidade de lidar com tanta complexidade nos deixa angustiados, pois pensamos que somos os únicos a estarem assim, acreditamos que talvez sejamos incapazes, pois todos que observamos ao redor parecem estar muito bem, mas isto não é verdade. Os níveis podem ser diferentes, mas no geral estamos todos hiper-estimulados, hiper-agitados, e consequentemente cansados. E este não é um cansaço banal, é um cansaço que nos paralisa, nos esgota, e nos dá a sensação de que o prazer das coisas simples fora afastado. Caímos em uma espécie de embotamento, e por mais que tentemos, não é tão fácil sair dele.

Mas não desanime, não pense que as coisas podem ficar assim para sempre, pois seu poder de reverter este processo continua aqui. Sabe quando seu quarto está totalmente bagunçado e parece não haver esperança para que as coisas sejam colocadas em ordem? Você pode até procrastinar para organizá-lo, mas sabe que à medida em que começa a colocar cada item em seu lugar, as coisas passam a acontecer, e sua capacidade de reverter o processo é real. O quarto bagunçado incomoda e nos entristece porque a complexidade nos pesa, tudo está fora de lugar, não há ordem, não há previsibilidade, a vida fica caótica e improdutiva. Quando passamos a organizá-lo, é como se contra-atacássemos o caos com um choque de ordem, ou melhor, de simplicidade. Perceba, quanto mais organizado um ambiente, mais simples ele parece que é. A simplicidade nos traz leveza, tranquilidade e, sem o incômodo do estresse de uma bagunça, sentimo-nos livres.

A sua mente é como um quarto a se manter organizado: quanto mais elementos e agitação, mais difícil de processar e colocar cada coisa em seu lugar. Imagine, por exemplo, as pessoas que logo que acordam, abrem os stories ou o reels do Instagram e em um espaço de cerca de 5 minutos são bombardeadas com uma variedade indescritível de imagens, sons, cores, questões, que ativam de repente diferentes áreas do cérebro que tinham acabado de “descansar” ao longo da noite. Esta pessoa começará o dia com um nível de caos mental que deixará tudo mais difícil para ela nas próximas horas, fazendo com que tarefas e questões simples se transformem em fontes de irritabilidade e insatisfação, dando a ela a impressão de que é incapaz, nervosa e “não ajustada a este mundo”. Esta prática ao longo de semanas ou meses podem facilmente conduzir uma pessoa saudável a cenários de transtornos mentais que farão de sua vida uma experiência muito mais complicada.

É claro que o exemplo do uso de rede social de amanhã é só um em meio a tantos outros que temos hoje em dia com a ascensão dos smartphones, sendo que o ponto principal que trago é que nós temos que ajustar nossa capacidade humana a esta nova situação civilizacional. Nossa capacidade de processamento é limitada! E atualmente a diversidade de elementos sensoriais ao nosso redor é mais que suficiente para que fiquemos loucos. Isto não é uma bobagem, é algo muito sério que está destruindo vidas, e precisamos racionalizar esta realidade. Quem não souber auto simplificar sua vida, pode até viver muito fisicamente, mas terá uma longa existência de sofrimento sem conseguir disciplinar seus próprios pensamentos.

Use menos celular, não abuse de filmes e séries, priorize atividades na natureza, aprenda a se desligar, pratique higiene mental, saiba o seu limite de absorção de informações para ficar bem, evite noticiário, se política lhe fizer mal, evite-a também, pratique esportes por prazer e não para as redes sociais, afaste-se de atividades muito artificialmente dopaminérgicas, e lembre-se, se você achar que está perdendo informações muito valiosas ao se desconectar, ignore, isto é falso, você não tem que saber tudo que está acontecendo no mundo. Há milhões de coisas acontecendo, você não foi criado biologicamente para processar tudo isso, e sim para processar suas ações individuais e cooperar em comunidade com seus semelhantes mais próximos. Você faz mais colocando o lixo para fora do que assinando um manifesto contra a caça japonesa de baleias do Pacífico.

Faça um teste, vá para algum lugar afastado da cidade, em meio à natureza, pode ser na praia, no campo ou na montanha, fique pelo menos 24 horas sem internet. Se você não conseguir fazer isso, se sentindo angustiado, provavelmente está doente. Então antes de achar que tem problemas psiquiátricos, tente limpar e simplificar sua vida, uma simples mudança de hábitos na forma como você permite que o mundo exterior acesse seus pensamentos, pode lhe poupar de longos tratamentos e ideias confusas sobre você mesmo.

As melhores coisas da vida somente são percebidas quando estamos com nossas mentes limpas para enxergá-las. Aqueles muito submersos no caos das distrações humanas acabam perdendo o espetáculo que passa diante de seus próprios olhos, verdadeiros prazeres que são ignorados por aqueles que estão soterrados nos prazeres da artificialidade, que sempre nos dão uma rápida ilusão de bem-estar, mas que logo se revelam sensações destrutivas que não nos levam a lugar algum. Simplifique para enxergar, e enxergue para ser livre.


sexta-feira, 26 de maio de 2023

O resgate do conteúdo sem dopamina

Desde que as redes sociais visualmente atraentes se consolidaram, temos a impressão de que a velha leitura tem tido cada vez menos espaço. É verdade que livros ainda são vendidos e muitos gostam de passar mais de uma hora lendo textos, porém é inegável o espaço avassalador conquistado pelas imagens e vídeos. Eu mesmo sou muito adepto dos vídeos, inclusive sou assinante do YouTube Premium, modalidade de serviço para quem não quer ver comerciais durante o uso da plataforma, além de outras vantagens interessantes.

Apesar de ter me adaptado como consumidor destas grandes plataformas, sempre me senti um pouco desajustado pela quase extinção do “conteúdo denso”, essa coisa geralmente escrita que exige tempo, paciência, processamento e reflexão. Como uma pessoa que gosta de tanto ler como escrever, é um desconforto ser obrigado a se ajustar nas limitações de caracteres das redes sociais. Por esta razão é tão prazeroso ter um blog. Apesar de praticamente não ter visibilidade, poucas coisas parecem ser tão saudáveis para alma do que a possibilidade de se expressar livremente por meio das palavras escritas.

Não sei como o leitor se sente, mas sou daquelas pessoas que precisam se expressar de alguma forma, e a forma que melhor me conforta é a escrita. Na verdade, tenho a sensação de que todos os seres-humanos necessitam de alguma forma expressar o que sentem e o que são, entretanto, esta coisa pode ser feita de variadas maneiras: pela pintura, teatro, música, gastronomia, esportes, trabalho e até, pasmem, pelo falatório de um bar estimulado pelo consumo de álcool ou qualquer substância com poderes de desinibir os indivíduos. Provavelmente algum psicólogo já falou sobre isso, deve haver alguma teoria por trás da ideia de que pessoas sem canais de livre expressão podem apresentar uma série de problemas psíquicos que tendem a se tornar um grande mal.

Seres vivos – e aqui falamos de humanos – carregam um ímpeto vital que os empurram para a ação e a comunicação. Não adianta você querer ficar parado, inerte, recusando viver. A vida lhe empurra, e não aceitar este empurrão é como optar por um vagaroso processo suicida. É proibido ficar parado. Como costumo pensar e dizer: mesmo que você não saiba o que fazer, faça alguma coisa. Movimente-se. Tenha apetite pela vida, por caminhar, aprender, crescer, e se aventurar. Você já está aqui, mergulhe no turbilhão da existência e encontre seu caminho.

Expressar-se é uma consequência natural daquele que abraça a vida, daquele que deseja viver. E para aqueles que preferem se expressar de forma mais densa, este mundo que se tornou demasiado superficial se torna um desafio. Mas abraçar desafios também faz parte da aventura. Outro dia uma pessoa participando de um longo podcast disse que estava surpresa com a audiência deste modelo de conteúdo, acreditando que sim, há espaço para longas horas de diálogos sobre assuntos complexos. Esta observação me fez enxergar o cenário com mais otimismo, imaginando que talvez um dia muita gente se canse do hiper estímulo das redes e procure um conteúdo mais lento e denso como este simples texto. É verdade que cada modalidade tem suas vantagens e desvantagens, mas espero que possamos nos recordar dos incomparáveis prazeres de uma boa leitura além das tempestades dopaminérgicas das redes sociais.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Porque a direita brasileira é tão desorganizada


Durante meus anos de faculdade, período em que construí minha formação no curso de Ciências Econômicas, muito me preocupava a situação do Brasil com o caminho que o país seguia ao continuar sob o controle do Partido dos Trabalhadores. Com esta preocupação, passei a me envolver mais com política e ajudei a fundar um grupo de estudos liberal em minha universidade. Este envolvimento não foi só no âmbito das articulações, mas principalmente nos estudos. Percebi que a única forma de se opor à força das tendências socialistas que imperavam no país, era conhecendo "o que pensa o outro lado", foi então que encontrei Hayek, Friedman, Mises, Ortega y Gasset, Bastiat, Kirk, Scruton e uma série de outros pensadores muito conhecidos no exterior, mas curiosamente ocultados no cenário nacional.

À medida que ia aprofundando nos estudos e conhecendo a dinâmica da guerra política brasileira, fui me surpreendendo com o tamanho da força que a esquerda tinha, muito embora o brasileiro não fosse lá esse povo letrado e "por dentro" de ideias políticas. Você só percebe a bolha em que nossa gente está, quando passa a ler coisas que os acadêmicos brasileiros não gostam. Se você tiver morado no exterior, este enclausuramento intelectual fica mais visível ainda. Foi então que passei a querer entender: por que praticamente não existem "vozes de direita" no Brasil? Ora, aparentemente toda democracia que se preze tem um partido conservador, liberal, liberal-conservador ou algo do tipo, mas neste país não havia absolutamente nada.

Já ouvi uma teoria de que isso tem tudo a ver com o "desgaste" da direita após os anos de domínio coercitivo dos militares, e tenho de concordar que isto realmente faz sentido, mas um ponto que passei a observar é que, a grosso modo, esquerdistas são intensamento engajados em política, enquanto direitistas só querem cuidar de suas próprias vidas e não se envolver em assunto desgastantes como "os problemas inerentes à sociedade e à administração pública". Durante muito tempo, inclusive, envolver-se com política era algo que levantava enormes preconceitos, como se fosse "coisa de quem não tem o que fazer", o que deixava o caminho totalmente aberto para os esquerdistas dominarem todas as esferas do Estado, educação e linhas editoriais.

Uma coisa que tentava explicar para os meus colegas "estudantes de gestão" é que, de fato, suas carreiras eram muito importantes, mas se eles ignorassem completamente a política ficariam nas mãos daqueles que se interessam, e então eu apontava o dedo em direção aos blocos dos cursos de humanas, onde o debate político é intenso, constante e acalorado, sendo pautado quase que completamente pelos esquerdistas, tanto pelos alunos quanto pelos professores marxistas que parece que vivem em função de seus "ideais revolucionários", transformando o campus universitário em uma espécie de quartel general das suas articulações ideológicas.

Envolver-se com política enquanto se está estudando em uma faculdade "apolítica" é extremamente desgastante, as pessoas simplesmente não gostam de "misturar as coisas", e se você tentar promover algo que desperte consciências, é simplesmente mal visto, como uma espécie de "agitador inconveniente". Cenário totalmente diferente dos cursos de humanas, onde aqueles que promovem assuntos políticos de forma saudável e civilizada são respeitados e até destacados pelos próprios professores. Alunos de administração, por exemplo, costumam ser economicamente liberais, mas se interessam muito pouco por política, e então não entendem porque é tão difícil empreender no Brasil, ou mesmo ser um empregado, enfrentando longas jornadas de trabalho para ganhar um pequeno salário que é dividido com o governo.

Por negligenciar suas próprias cidadanias, os "direitistas" acabam ficando nas mãos dos esquerdistas. Insistem em reclamar dos políticos e falar mal de tudo e de todos, mas não fazem nada para contribuir na "guerra ideológica", apenas continuam "cuidando de seus negócios", não entendendo muito bem porque o país parece estar entrando em uma espécie de caos entrópico. Esta omissão em não tentar entender o que acontece na política de seu própria país, custou caro a todos nós com os escândalos promovidos pelo Partido dos Trabalhadores enquanto governavam. Felizmente Dilma Rousseff sofreu impeachment e eventos piores não aconteceram (e tinham tudo para acontecer).

Mas parece que as coisas estão mudando, ao jogar o sistema político em uma grave crise moral, e o povo em calamidade econômica, o PT acabou por gerar uma enorme força de reação, forçando milhares de brasileiros a se interessarem por política, talvez por terem visto o que estava acontecendo na Venezuela, passando a se preocuparem com a manutenção de suas próprias vidas. Mas esta "reação momentânea" não é suficiente, caso queira transformar o Brasil em um país digno de atenção, aqueles que se identificam com a direita devem passar a ocupar espaços de forma sustentável e prolongada, criando no longo prazo uma nova cultura política em nosso país.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Minimalismo, modinhas modernas e a negação das tradições

Há alguns anos venho observando uma intensificação dos hábitos "minimalistas", ou a cultura do "menos é mais", como você preferir chamar. É muito interessante como, de tempos em tempos, o mundo moderno traz à tona ideias do passado, mas com uma roupagem aparentemente diferente, como se fosse uma super novidade, deixando todos fascinados. A ideia do "minimalismo" consiste, resumidamente e a grosso modo, em se livrar de coisas inúteis que só entulham e atrapalham sua vida, deixando apenas aquilo que é necessário, aquilo que você quer mesmo. Quando você faz isso, sua vida fica mais clean, mais leve, mais harmoniosa e, consequentemente você também se sente melhor.

Isto é uma verdade, uma vida simples geralmente é uma vida mais feliz, e provavelmente você encontrará esta ideia na maior parte das grandes religiões, como na Católica, por exemplo. Não ficarei aqui citando passagens da bíblia, já que chega a ser de conhecimento comum que um cristão deve ter uma vida frugal, sem apego aos bens materiais, prezando pela ordem e pela limpeza, muito longe daquele estereótipo de americano consumista que mora em uma casa enorme que tem tantos objetos e coisas inúteis que o sujeito mal consegue andar sem sair chutando tudo (as coisas pioram ainda mais quando há crianças na casa).

Mas meu ponto principal de hoje não é sobre o movimento minimalista em si - que considero muito positivo - mas de duas práticas que revelam um pouco sobre o comportamento e a psicologia modernas. A primeira prática é negar a grande herança civilizacional das tradições cristãs. Chesterton dizia que a doutrina católica era a melhor filosofia para viver na Terra, superando as outras religiões por ser capaz de entender a natureza humana de forma mais aguçada, orientando com precisão como deveria ser uma vida virtuosa e com retidão, afastando-se dos pecados e buscando a postura moral que mais favorecia o bem-estar do homem.

Mesmo se você não acreditar em Deus, ainda assim a "ética cristã" perpetrada pela Igreja é sábia, e seus mandamentos podem orientar qualquer ser-humano em direção a uma vida mais equilibrada e feliz. Como já dito aqui, uma das principais orientações da Igreja é ter uma vida simples, de forma muito semelhante ao que prega o minimalismo (talvez o minimalismo ainda seja mais radical, pois o católico costuma ver mais valor em certos ornamentos, mas ambos compartilham tendências de "sabedoria" parecidas), porém o ser-humano moderno, sedento por outras fontes de orientação moral que não sejam as mesmas de seus "antiquados avós", preferem negar estas orientações milenares de vida e abraçar filosofias e ideologias fragmentadas que são vendidas pelo mundo a altos preços.

É como se as respostas (quase) perfeitas de uma vida sã já estivessem ali em nossos quintais, harmonizadas e equilibradas após séculos e séculos de grandes esforços intelectuais e físicos, mas preferimos buscar respostas imperfeitas em lugares muito mais distantes, que podem até funcionar de certa forma, mas estão desintegradas de um sistema filosófico harmonizado como aquele deixado pelas tradições cristãs. Mas quem vai querer dar o braço a torcer a "instituições do passado"? Afinal de contas somos muito "descolados" e "progressistas" para isso.

Isto nos leva à segunda prática, que consiste em encorporar "virtudes soltas", de acordo com a moda e a necessidade vigentes. Chesterton gostava do termo "virtudes enlouquecidas", querendo dizer que o homem moderno queria ser bom, mas achava que isso poderia ser feito como em um restaurante self-service, onde ele poderia se servir daquilo que era mais cômodo, e não de um sistema completo e integrado que demandaria muitas restrições e sacrifícios. Simplicidade e desapego material são legais? "Neste momento sim, então vou querer". Castidade é chato e fora de moda? "Então não vou querer". É claro que como o homem moderno não se apega a um corpo unificado de ideias morais, esta ordem pode simplesmente mudar, e o que é antiquado hoje pode se tornar uma ideia nobre amanhã, como a castidade em uma situação de calamidade pública com alguma doença sexualmente transmissível rondando. Assim como a simplicidade pode ser abandonada se alguma ideologia materialista assumir o poder e todos quiserem colaborar com a propaganda do "aumento de padrão de vida", passando a usufruir novamente das tendências de alto consumo (podendo isto acontecer em um governo tanto de direita como de esquerda).

Então em primeiro lugar nega-se e ridiculariza-se o passado e as tradições, evitando qualquer reconhecimento de virtude e verdade neles. Feito isto, passa-se a se buscar fontes de boa filosofia, ideias sábias que contribuam para o equilíbrio da mente e da alma, que comumente são encontradas, mas sempre em fragmentos e frequentemente em doses erradas, não proporcionando os resultados desejados. É claro que boas ideias são melhores do que más ideias. É claro que praticar meditação nos moldes orientais é melhor que usar drogas diariamente como forma de "se equilibrar". Mas não me venha com "novidades" que não são novidades, com ideias atraentes que na verdade são antigas. Não posso fazer nada se você se afastou do legado dos seus antepassados e hoje é facilmente impressionado(a) por escritores e ideólogos que vendem a preço de ouro coisas que o padre da cidadezinha dos meus bisavós já falava. O que a geração atual precisa é conhecer as próprias origens, é uma pena que a cultura clássica ocidental tenha sido removida das escolas, meus contemporâneos mal conhecem o precioso tesouro de que são herdeiros.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

O ser-humano é imperfeito e vacilante, e isto deveria nos dizer muita coisa


Durante a maior parte da história de nossa civilização, as pessoas tinham plena consciência de que o ser-humano era uma criatura limitada. A doutrina do pecado original, tanto familiar aos cristãos, formava a base imaginária que sustentava uma posição de humildade e de uma visão de piedade sobre o mundo. Somos pecadores, somos miseráveis, somos imperfeitos e, portanto, devemos agir com calma e prudência. Por mais que houvesse barbaridades, elas eram julgadas por esta visão, além de uma consciência da existência de um ser supremo que vigiava tudo que fazíamos.

Com o advento do mundo moderno e do cientificismo, esta estrutura imaginativa foi substituída por uma crença demasiada na razão metódica, que sugeria a elevação do homem ao patamar de super-poderoso, um ser que tudo poderia fazer e tudo poderia entender, abolindo de seu dicionário conceitos simples e tradicionais como "mistério". A idéia de "mistério" para o homem moderno é uma idéia de mediocridade, devendo ser superada para que a espécie humana busque compreender a estrutura do universo, revelando o que "instituições retrógradas" - como a Igreja - impediam de ser revelado. Lembro aqui que cientificismo não quer dizer propriamente ciência natural, aquela prática muito comum entre padres e os fundadores das universidades ocidentais. Cientificismo é tomado aqui como uma espécie de ideologia, um embotamento mental resultado da elevação da ciência a uma condição de fonte monopolista de toda verdade e conhecimento (o que explica o enfraquecimento da filosofia clássica nos últimos trezentos anos).

Esta quebra de mentalidade se alastrou pela civilização, deixamos Deus de lado, negamos as limitações do homem e o colocamos como o grande redentor da espécie. Transformar este planeta em um paraíso não seria tão difícil assim com grandes mentes no comando. Tal crença, aliada à consagração do materialismo tanto por marxistas quanto por alguns burgueses, conduziu-nos a ideologias políticas que resultariam em graves instabilidades, tendo como pontos máximos as duas grandes guerras mundiais do século XX, além da revolução bolchevique de 1918. Para o historiador Arnold Toynbee (1889-1975), esta foi a era da desordem. Nunca antes na história humana a vida foi tratada de forma tão insignificante, vista como um empecilho para a construção de mundos "perfeitos" que desconsideravam presunçosamente todas as grandes lições da história, assim como a compreensão da natureza humana, entendida com muito gênio e sacrifício ao longo de vários séculos. Milhões de vidas foram ceifadas na Europa, em especial na Alemanha e na Rússia, e mais tarde também na Ásia, tendo como protagonista a China de Mao Tsé-Tung (1983-1976). 

Mesmo com toda esta barbárie do século XX, é comum ainda termos a idade média como a principal época da "escuridão" e do sofrimento humano, e esta visão parte muito mais por iniciativas propagandistas modernas do que pela realidade histórica registrada. É assustador como o terrores do comunismo, por exemplo, são tratados com tanta brandura por pessoas que se autoproclamam "humanistas", como se esta ideologia só precisasse de alguns reparos para que fosse colocada em funcionamento de forma mais satisfatória. A verdade é que, mesmo com todos os fatos históricos observados, ainda esperamos que o homem cure as chagas deste mundo e proporcione o "Céu na Terra". Tal pensamento não só nos reveste de utopia - o que na prática nos idiotiza - como gera um ambiente muito propício à ascensão de tiranos e demagogos que usarão tais equívocos filosóficos para conquistarem o poder. Quando o homem se torna um louco em seu interior, e esta loucura se torna o norte cognitivo das massas, é só questão de tempo para que loucos se tornem governantes.

Ainda hoje, mesmo com a queda de várias destas ideologias, líderes cheios de planos mirabolantes para salvar o mundo ainda são escutados, respeitados e até eleitos para cargos de grandes responsabilidades. O que podemos esperar é que aqueles que ainda preservam a sanidade, possam perceber que contar com a salvação da humanidade pela própria humanidade é uma tremenda armadilha, e que o resultado tende a ser muito pior do que a mera manutenção da ordem, da justiça e da liberdade, no sentido clássico das palavras. Se aceitarmos a realidade e as limitações do homem, podemos lutar por um mundo razoavelmente bom, onde há um alto nível de tolerância e a justiça e a liberdade podem prevalecer, mas se cairmos em armadilhas ideológicas, podemos perder tudo isto de uma só vez. Nas palavras de Friedrich Hölderlin (1770-1843): "O que sempre fez do estado um verdadeiro inferno foram justamente as tentativas de torná-lo um paraíso". Tenhamos em mente, antes de qualquer coisa, que não somos Deuses, e temos muito o que aprender. Apenas isto já seria suficiente para acalmar os ânimos de um mundo em constante e exaustiva ebulição.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Porque deixei de ser vegetariano



Antes de discorrer sobre os motivos que me levaram a abandonar três anos como vegetariano, devo dizer que provavelmente frustrarei alguns "inimigos" do vegetarianismo que esperam alguma descrição catastrófica dos efeitos biologicamente destrutivos de não se alimentar de carne. Estes amigos buscam vorazmente relatos de indivíduos que ficaram "doentes" após um tempo adotando uma dieta vegetariana. Bom, este não é meu caso, não fiquei "doente" e não foi por motivos de saúde que abandonei este estilo de vida.

Devo destacar, inclusive, as vantagens de ser vegetariano. Uma dieta sem carne, conduzida por alguém bem educado sobre alimentação, pode melhorar e muito a qualidade de vida, a saúde e a performance nos esportes. Normalmente os vegetarianos bem empenhados acabam tendo uma alimentação muito superior à de um cidadão médio, uma vez que reconhecem suas restrições e aprendem a se alimentar melhor, tendo uma relação mais íntima com o que ingerem, buscando mais informações sobre os benefícios e malefícios de cada alimento.

Portanto, minha decisão por deixar o vegetarianismo não é de cunho biológico, não tive nenhum problema físico ao deixar de comer carne, pelo contrário, tive muitos ganhos, como alta imunidade contra doenças, bom sono, melhora nos processos digestivos etc. Entretanto devo deixar o alerta aos aventureiros, para ter este estilo de vida não basta deixar de comer carne, você deverá saber substituir sua velha dieta e passar a comer muitos alimentos com os quais não tinha tanta familiaridade, como frutas e verduras que não costumavam fazer parte do seu dia a dia.

Pois bem, o que me trouxe de volta para a alimentação "comum" foi um aspecto cultural, mais precisamente algo que passei a chamar de "custo social". Alguém que pensa em se tornar vegetariano no Brasil deve ter consciência de que vive em uma cultura onde o consumo de carne está profundamente arraigado, de forma tal que muitas tradições e costumes estão vinculados a esta prática, havendo um alto teor de questões de sociabilidade envolvidas em qualquer decisão que gire em torno da alimentação.

A alimentação não é só uma decisão sobre o que vamos ingerir para nutrir nosso corpo, mas algo que remete fortemente à nossa participação na sociedade. Coisas como "tomar um café" ou "fazer um churrasco" no Brasil significam muito mais que um "café" ou um "churrasco", são códigos de convivência intimamente ligados à nossa história e à nossa identidade como povo. Em alguns países, um estrangeiro que se recusa a experimentar a comida local automaticamente é rejeitado, como alguém que não se pode confiar, ou mesmo como um inimigo. Por mais que preguemos uma sociedade tolerante, poucas coisas são mais frustrantes do que receber alguém na sua casa e esta pessoa ter um tipo de alimentação completamente diferente da sua, você tem dificuldades em saber o que pode servir ou como agradar este visitante. Quando esta pessoa tem um discurso moralista, isto pode ficar ainda mais inconveniente.

Quando um brasileiro decide ser vegetariano, ele deve ter consciência de que está promovendo uma violenta ruptura com a cultura em que está inserido. Isto pode soar até como uma novidade para alguns, mas isso acontece porque tentamos acreditar que estamos em um mundo onde as escolhas são muito livres e todos devem acatar o que decidimos fazer com nossas próprias vidas. Tal idéia pode ser verdade na teoria, mas a realidade prática não se importa muito com teorias. A tendência para uma pessoa "excêntrica" é que ela seja aos poucos excluída daquele núcleo cultural em que determinada população vive, núcleo cultural que não adianta ser ignorado, pois costumes alimentares são parte indispensável na composição das convenções de uma nação, e o consumo de carne faz parte da história do Brasil.

Em outras palavras, ao decidir por um estilo de vida vegetariano, você está decidindo por uma ruptura cultural, e isto pode ter como consequência uma gradual exclusão social. É claro que é possível buscar outras pessoas com um estilo de vida semelhante e tentar se relacionar (principalmente se você estiver em uma cidade grande), mas isto provavelmente resultará em uma esfera de interações muito limitada, o que moldará sua vida e seu destino de forma decisiva. Pode parecer exagero, mas a decisão por um estilo de vida alimentar tem impactos tão fortes quanto à conversão a uma determinada religião, ou mesmo à escolha de uma carreira profissional. É coisa séria, muito séria.

Além disso tudo, particularmente também acredito que há algo transcendente no compartilhar de uma refeição, algo que não está tanto ao nosso alcance compreender, mas tem tudo a ver com amizade, lealdade, companheirismo e celebração. Partilhar um alimento vai muito além de meramente se alimentar, tendo ligação íntima com a construção de vínculos que podem ser duradouros. Deixar de participar diretamente do churrasco, compartilhando a mesma carne que os outros estão degustando, e ficar no cantinho do evento comendo uma "alternativa" vegetariana, impõe um distanciamento metafísico insuperável entre a maioria e sua conduta particular. Por mais nobre que sejam seus motivos, como proteger os animais, você está implicitamente declarando que não pertence àquele grupo.

Devo deixar claro que não estou dizendo que sou contra o vegetarianismo, apenas penso que aqueles que querem adotar este estilo de vida, devem ter em mente o "custo social" de tal empreitada. Às vezes não é fácil ser um "herege" alimentar, e se você for jovem então, acaba sendo pior ainda, pois jovens tendem a ter uma vida social mais movimentada, e deixar de ter vínculos nesta idade poderá lhe conduzir a uma maturidade solitária. Uma alternativa que deixaria como sugestão, caso alguém queira deixar de comer carne, é reduzir a quantidade consumida deste produto drasticamente, mas não proceder com uma ruptura total com a dieta "comum", desta forma, haverá um meio termo, ideais podem ser alcançados e vínculos sociais podem ser conservados.

Não me arrependo de ter deixado o vegetarianismo, apesar de também achar que o brasileiro come carne demais e deveria aprender a consumir outros grupos alimentares. Voltando a viver nos costumes, reaproximei-me de amigos e familiares, além de fazer novas amizades em situações onde o alimento era protagonista no cenário das interações. Eventos sociais que envolvessem comida nunca mais foram um problema, de forma que minha energia mental (antes preocupada com "o que comer") fosse redirecionada a outros problemas e desafios, como por exemplo ser alguém mais agradável, tolerante e cortês, coisas que exigem certo esforço, disciplina e aprimoramento individual. Portanto, saiba que ser vegetariano tem várias vantagens, mas não esqueça desse negócio chamado "custo social", isto é sem dúvida algo que deve entrar em suas meditações sobre o assunto antes de tomar qualquer decisão.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Se você abrir muito a cabeça, o cérebro pode cair para fora

Estou retornando à minha casa à noite quando passo por um desses grafites urbanos com frases de efeito. Neste, um menino negro tem um balão de diálogo que diz: "O impossível é uma questão de opinião". Como sou desses que gosta de ficar filosofando sozinho no carro, começo a refletir sobre a frase e pensar nas suas consequências cognitivas.

É muito comum em nossos tempos frases de efeito que nos convidam a um certo comportamento questionador, sempre nos incitando a destruir os limites da vida, como se isso nos conduzisse a níveis mais elevados de compreensão e nos diferenciasse das "massas alienadas que estão sempre seguindo padrões". É um convite a ser diferentão, ouvimos isso tanto de gente "cabeça" de esquerda como de empreendedores e coaches entusiastas que estão sempre gritando por aí seus mantras para uma carreira bem sucedida: "pense fora da caixa!", é o que o mundo moderno insiste em nos dizer.

No caso do grafite que vi voltando para casa, a mensagem é bem clara: "não respeite sua noção de impossível". Também poderíamos ler como: "ignore as limitações da realidade". Você quer voar? Voe! Você quer riqueza sem trabalho? Queira! Você tem muitos desejos? Satisfaça-os. Não importa se a vida real é cheia de condições, muitas vezes insuperáveis, você tem todas as possibilidades de subvertê-las, basta querer!

Esta ânsia do homem moderno em destruir os limites foi muito bem observada por G.K. Chesterton, um escritor inglês que, dentre muitas frases célebres, tem uma das minhas favoritas: "Não seja tão mente aberta que seu cérebro caia pra fora". Chesterton lamentava a forma como seus contemporâneos passaram a encarar o mundo e a aquisição de conhecimento, para ele, a vida é feita de contornos, e retirando os contornos, a vida deixa de ser vida.

Não adianta você querer uma zebra sem listras, se ela não tiver listras, ela deixará de ser zebra. Não adianta desejar um leão sem juba, ao perder sua juba, o leão deixa de ser leão. Da mesma maneira, nossa vida é repleta de coisas já estabelecidas, e lutar contra elas é um grande passo a caminho da loucura e da insanidade. E é este um dos grande males que nossa civilização parece estar sofrendo.

O homem medieval buscava melhorar a vida, mas com um enorme respeito às coisas como elas são em seu sentido concreto, já o homem moderno zomba da realidade com extrema arrogância, colocando seus desejos e seu ego no topo das prioridades. O homem medieval era movido pela piedade, o homem moderno é movido pelo apetite.

Basta olhar ao redor e perceberemos que nosso mundo está movido por uma busca insaciável de atender a desejos de um lado, e uma insanidade irrefreável do outro, sendo esta campanha permanente de relativizar a realidade uma das principais causas da desordem interna que empurra as massas para o precipício. Em outras palavras: o que era apenas um convite para "pensar fora da caixa" se tornou um dos maiores dogmas desta nova religião da loucura e do caos metafísico.

Desconstruir, problematizar, quebrar paradigmas, parece que ninguém mais pode sentar em uma praça em paz e apreciar as coisas como elas são. Ver os velhos tagarelando, os vendedores anunciando suas ofertas, os apressados correndo, os mendigos pedindo esmolas. Nossos jovens estão sendo treinandos para fazerem análises sociológicas profundas das coisas mais banais, e muito comumente eles só reproduzem um monte de clichês e jargões marxistas para justificar algum remédio político que ouviram de um professor ou algum formador de opinião na internet. 

Compreender o mundo como ele é, ao invés de ficar se debatendo contra a realidade, é um dos principais caminhos que levam à sabedoria, assim como a uma vida mais feliz e perene. Revoltar-se contra tudo é abrir os portões a um verdadeiro inferno existencial, alimentando o monstro da insatisfação e cavando a própria cova da inteligência. O sábio não vive de revoltas e utopias, mas de um imenso entendimento de como as coisas funcionam, além de um permanente encantamento com tudo que seus olhos veem, como se os atributos aparentemente mais irrelevantes da existência fossem verdadeiros milagres. 

Abrir tanto a cabeça ou ficar questionando o impossível não lhe levará a um lugar muito mais interessante que esta fantástica aventura onde você já se encontra: a aventura da vida comum, a inigualável experiência de ser mais um. Somos muitos, mas cada um de nós é um milagre, assim como cada contorno que nos é imposto. Nosso tempo é curto, para quê desperdiçá-lo com excentricidades? Amemos as coisas como elas são. Voltarei lá no grafite para apagar a frase "o impossível é uma questão de opinião" e escrever: "o impossível é impossível e pronto". Desculpe se frustrei sua poesia, mas acho que vai ser melhor para você.

domingo, 26 de agosto de 2018

A ditadura da subversão e a intolerância dos tolerantes

Liberdade de expressão parece que é uma daquelas coisas que acabou se tornando uma espécie de dogma moderno. Quase não há quem diga que é contra a liberdade de expressão, e se há, estas pessoas tentam não se manifestar a respeito. Liberdade de pensar e dizer o que pensa é o que se vê entre as bandeiras de muita gente que têm certeza que são seres progressistas e muito mais "mente aberta" do que a média da população. Será?

Algo que tem se tornado cada vez mais perceptível é que boa parte destas pessoas que se dizem "liberais" e "mente aberta" têm uma extrema dificuldade em se portar frente a posições de opinião que divergem das delas. "Eu defendo que as pessoas sejam livres", dizem, mas basta o seu Joaquim Teixeira dizer que não gosta de algo que elas gostam e já ficam extremamente enfurecidas, como se uma simples opinião individual fosse um posicionamento autoritário e coercivo.

Grupos que se consideravam "marginalizados" pela sociedade, galgaram posições de poder e espaço pregando a tolerância frente às diferenças e convencendo uma sociedade conservadora a se abrir para o novo, aceitando aqueles que optavam por estilos de vida que iam de encontro com a cultura tradicional vigente. Eles chegaram lá, reinvidicaram suas liberdades, geraram a ruptura que tanto queriam e então todos poderiam ficar em paz, certo? Não foi bem assim.

Os grupos que antes se utilizaram do discurso da tolerância para serem "deixados em paz", o que é algo justo, não pararam aí. Continuaram atuando de forma a desarmar todo o arcabouço tradicional da sociedade que os ofereceu um espaço, comportando-se como verdadeiros agentes subversivos, querendo virar tudo de pernas para o ar, não só atuando de forma ativa para alterar todos os padrões consagrados pelo tempo e pela luta da sobrevivência, mas também censurando de todas as formas possíveis aqueles que se recusam a se adaptar a tal estilo de vida.

Em outras palavras, a sociedade tradicional se abriu para as virtudes do liberalismo moderno, mas os grupos que ascenderam ao poder solapando os valores tradicionais estão pouco se lixando para estas mesmas virtudes que permitiram sua própria ascensão. Não basta a eles terem a liberdade de falarem e serem o que são, é preciso substituir toda a ordem cultural vigente, fundando um total novo estilo de vida, que havia sido introduzido como "subversão", mas que busca se estabelecer como ordem hegemônica. Eis o porquê da fúria contra o cidadão comum que se posiciona contra as "novidades" que parecem ser impostas todos os dias por variadas máquinas de propaganda que se estabeleceram a partir do período pós-guerra.

Estes grupos subversivos que vêm conquistando cada vez mais espaços costumam ridicularizar as visões dogmáticas e todo o senso de orientação que havia conduzido o homem comum até aqui, o problema é que mal percebem que já há algum tempo eles estão se tornando fundadores de novos dogmas e referências existenciais, fundando, na prática, uma religião alternativa, que ganha corpo na fusão de inúmeras ideologias modernas, e à medida que assumem posições de poder, mostram-se até mais autoritários do que a ordem tradicional que buscaram suplantar apoiados no discurso da "liberdade".

Portanto, muito cuidado com aqueles que saem por aí brandando a "luta pela liberdade", a "tolerância" e o "amor", palavras que têm seus significados paulatinamente alterados de forma a servir melhor os desígnios ideológicos já traçados. Quando alguém diz que é "tolerante" e fica enfurecido com uma opinião muito diferente, pode ir desconfiando que as sementes do totalitarismo já germinam por ali.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A ilusão do secularismo

Às vezes fico impressionado sobre como minha geração trata a religião e os incentivos espirituais que permeiam a formação e a manutenção de uma cultura. O processo de laicização da sociedade, sido iniciado pelas ideias iluministas, e conduzido pelos adoradores do Estado moderno, mais especialmente os maçons, que sempre estiveram em posição de diminuir a autoridade da Igreja como reguladora das relações humanas, colocou nossa civilização em um estado de confusão espiritual sem precedentes, um mundo paralelo onde o cristianismo é só mais uma mera religião.

Há poucos dias vi algúem compartilhando no Facebook um abaixo assinado para que religiosos fossem proibidos de se candidatar a cargos públicos na política. O absurdo nem é tão grande pela falta de apreço pela liberdade dessa juventude anti-religião, mas a ilusão de que o mundo não se sustenta em crenças espirituais, de que tudo está no Estado e na ciência, como se tudo fosse relativo, o bem e o mal, o certo e o errado, tudo é construção social e o conservador é um inimigo do incontestável progresso da civilização.

Ora, o que vejo nessa geração não é um processo de libertação, mas sim uma outra opção de servidão, a servidão das ideias frouxas que mudam do dia para a noite, que não sobrevivem ao tempo, que estão sempre em mutação, não uma mutação lenta e salutar, mas uma mutação confusa e prejudicial para qualquer mente que busca um certo equilíbrio. Esta juventude que não crê em algo além desta vida, coloca todas as suas esperanças de um mundo melhor no aqui e no agora, é um exército de pessoas insatisfeitas, sedentas por prazeres mundanos que não os levam a lugar algum.

Não é de se estranhar que a diminuição do poder da Igreja no mundo ocidental está diretamente ligado ao aumento do poder do Estado e à formação de uma aristocracia seleta que se alterna no poder. Os pobres iludidos “jovens do povo” acham que vão assumir o poder com a democracia e a luta em favor dos pobres, uma baita ilusão, o máximo que vão conseguir será formar uma nova elite, tão déspota e concentradora como a anterior.

Mesmo com a ascensão do estado laico, o cristianismo ainda está presente no subconsciente dos ocidentais, esta religião, que construiu nossa civilização e abriu as portas para o desenvolvimento humano desde a queda do Império Romano, permeia nossa leis, nossos costumes, nossos relacionamentos, nossos planos de vida, e inclusive nossas pequenas decisões do dia-a-dia. Ser contra religião não é ser a favor da neutralização da política, é apenas ser a favor de outras ideias que não suportam as ideias religiosas e se utilizam da carcaça estatal para ocupar seu espaço e suprimir a liberdade em prol de seus próprios interesses.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Global fraternity

How different is a Chinese compared to a Paraguayan? What about an English person compared to a Mexican? A Japanese compared to a Cuban? Since my early teen years I have been wondering how different people worldwide are. How do they think? How do they feel? Why people in Brazil say Europeans are cold? Europeans are not cold; they are just more private and deeper in their relationships. Brazilians are warm indeed, but in some cases they can be annoyingly warm, I would place myself between the two extremes, not so cold, not so warm, just between; imagine what you want out of it.

On my pursuit to answer those questions I left Brazil for the first time in 2011 for a volunteer year in Scotland together with people from different nationalities (Germans, Koreans, Hungarians, Scottish, Canadians etc), that was a great experience and I could for the first time live-in with non-Brazilian people. After a few months I came to the conclusion that, wow, we are all the same! Naturally we have our own individuality, no doubts about it, however we are fatally on the same human/spiritual race, we have the same emotions, we live similar dramas, we get happy for the same reasons and sad also for almost identical reasons, later on I could even more observe it as I gradually had other experiences in college with foreign students.

Indeed our cultural background makes us feel slightly far apart superficially, but in the end, once you have a chance to explore someone else from another country you will see how close we are to each other, how we are all humans even though we were born in a developed nation or not. When we are teens we try to adjust ourselves and have friends, when we are young we want different experiences, as more as we get mature we live the same adult issues and it goes on until the end. Thus we can also conclude that wars put in evidence how big our lack of communication and understanding is, and especially how vulnerable we are to insane ideologies, such as nationalism, socialism and also extreme worship of some religions that enchain so many nations in misery and suffering.

The nations of this planet might look on very different stages of development; a rich guy from New York might think he is light-years away from a poor farmer in the countryside of Bangladesh, but if we look upon an universal point of view, considering the Earth’s age and our short history we can quickly conclude that those two persons are actually very close and connected, and the grand grandfather of this rich guy was also a farmer trying to survive in the middle of nowhere. Overall we are all very connected and chasing the same purpose: happiness and well-being.

That’s why racism is something so stupid once you think about it rationally, it is even unnecessary to say that globalization will slowly defeats it until a point our culture and skin-color will be nothing more than a reason to celebrate the diversity and the richness of our planet’s beauty. When I think about racist people I realize how poor and fool they are for not enjoying the opportunities of living in harmony with people that could bring them a different point of view or any other thing to enrich their lives. I am not here trying to defend minorities; I am just standing for logical thinking.

I will probably not be here when this planet lives as one and without borders, it will still take some centuries to be accomplished, but for sure there will be a point when all of us will agree with each other and no more hate will lead us to violence, tyranny, persecution and consequently suffering. However I believe I will still be alive out of this body and have a chance to admire this age of peace and global fraternity.

In honor to the victims of the terrorist attack against liberty that took place yesterday in Paris.

(This text might contain a lot of English mistakes, grammar and some parts can look weird for a native speaker, writing in English makes me lose 80% of my vocabulary and sensibility to the words, however I'll only get better trying, thanks for the patience)

domingo, 5 de maio de 2013

Vamos homens!

Marujos! Preparem-se! Pois o dia de zarpar ao maior desafio de suas vidas chegou! Deixaste para trás uma família, uma casa, uma vida, para juntarem-se a mim, e juntos conquistaremos um mundo novo, um mundo que construiremos do zero, com o suor de nossos rostos, criaremos a melhor das civilizações, um lugar que condiz com a bravura de nossos espíritos ao decidir cruzar este grande oceano.

Lá teremos fartura, justiça, liberdade, ar puro e enfim a paz e felicidade que buscamos, respiraremos o ar doce das manhãs e gozaremos do perfume mais sublime que as flores podem expelir. Cantaremos alegres este sentimento, fazendo a floresta toda ouvir que ali vives um novo povo, um povo que protegerá sua terra e a tranformará num grande paraíso, um paraíso de todos, onde o prazer de viver superará os mais egocêntricos instintos humanos e despertará o amor natural em todos os corações que sofriam na miséria de tempos atrás.

Soem os tambores! Cantem! Tragam este rum! Vamos comemorar e logo logo zarpar! Não é hora de tristeza, guardem suas lágrimas para quando encontrarem a terra prometida que estou lhes falando, pois ela sim despertará nessas almas a grande emoção de uma vida. E logo logo poderão trazer suas queridas esposas e seus amados filhos que crescerão diante de grande beneficência! Não esqueçam de trazer nossa bandeira, pois esta já está pronta, e a hastearemos com orgulho na montanha mais alta daquelas terras, e logo depois nas florestas, na beira dos rios, em cada pequena casa, criando uma grande nação que será almejada por todos aqueles que sonham com a liberdade. Vamos! Vamos! 



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Salzburgo, a cidade que respira música

Mirabellgarten
Durante os dias na Áustria não deixariamos de ir a Salzburgo, algo que já estava planejado, principalmente por estarmos na região Noroeste do país. Pegamos um trem partindo de Frankenmarkt pela manhã e chegamos à bela estação de trem de Salzburgo depois de um pouco mais de uma hora de viagem. A paisagem do trajeto é sensacional, como descrevi no post passado, um visual que aconchega juntamente com a calma, porém rápida, locomoção tocada pelo trem. Viajar de trem na Europa é uma experiência que brasileiros não podem deixar de fazer, até para valorizarmos esta ideia e quem sabe um dia usufruirmos deste serviço em nosso país. Rápido, seguro, confortável, ecológico e inteligente.

Estava um dia agradável na cidade, temperatura amena e como sempre milhares de turistas, Salzburgo é sustentada pelo fluxo de viajantes que chegam até lá para apreciar a rica vida cultural da cidade que encanta os visitantes com sua música e sua conservada atmosfera de cidade do século XVIII, infestada de carruagens e desenhada numa arquitetura herdada dos períodos imperiais. Uma cidade que estaria parada no tempo se não fosse a gigante Red Bull investindo em inciativas privadas juntamente com outras empresas da região. E sim, este império chamado Red Bull é de lá, de Salzburgo, inclusive o nome do time de futebol é “Red Bull Salzburg” e aquele cara que saltou do espaço também é de lá.

Centro da Cidade
A cidade é realmente bonita como todos dizem, organizada, limpa, com um comércio interessante e muito para se olhar e admirar, no meu caso a admiração se voltou a um Pretzel gigante que deu até dor de cabeça depois de comer tudo. Vale salientar que o Pretzel tradicional é salgado, não doce como estamos acostumado a conhecê-lo no Brasil, e comer um Pretzel doce daquele tamanho não é uma decisão das melhores, mas vale a pena uma vez na vida. Um dos pontos que mais gostei de Salzburgo foi a liberdade para se locomover como pedestre, pois a utilização de carros no centro é rigorosamente limitada, controlada ao extremo, uma decisão inteligente para uma cidade que quer se tornar competitiva no turismo. Assim as ruas e becos ficam livres e longe da confusão dos carros, promovendo uma experiência bastante agradável de ir e vir aproveitando o clima ameno e até sentando num dos charmosos restaurantes e experimentar a comida austríaca que carrega suas peculiaridades.


Casa onde Mozart Nasceu
Apesar da cidade ser de grande importância no roteiro de qualquer turista que visita a Europa, ela ainda não é uma das minhas favoritas, pois querendo ou não, em algumas cidades do continente fica claro aquele nível de ostentação de superioridade por alguns nativos e também visitantes endinherados que procuram um recinto para se diferenciar das pessoas “normais”. Portanto, infelizmente, Salzburgo é deste tipo de cidade que atrai em grande parte um público que está mais preocupado em mostrar o que tem do que qualquer outra coisa. Na Escócia isso acontece em Edimburgo, por isso que gosto mais de Glasgow.

Mas é claro que os pontos positivos estão muito a frente dos negativos e vale a pena conhecer este lugar que foi berço  de Wolfgang Amadeus Mozart, este gênio da música clássica que aos cinco anos de idade já impressionava o velho continente com suas precoces composições. Ao caminhar por Salzburgo, com certeza você avistará uma edificação amarela no centro de uma das praças principais onde o músico nasceu, não só você como vários outros turistas dos quatro cantos do mundo que estarão tirando fotos por todos os lados. Mozart é o símbolo da cidade, ele está em todo lugar, em edificações, apresentações, caixas de bombom, lembrancinhas de todos os gêneros, a verdade é que após um dia em Salzburgo você não quer mais saber desse rapaz, é um êxtase de Mozart para dizer chega!

Pretzel Gigante
Pela noite é aquela mesma estória de sempre, boate, bar e restaurante, escolha um ao seu gosto, eu fui a um bar com minha namorada e uma turma dela. O lugar era exuberante, em frente ao Rio Salzach com vista para a fortaleza, ponto mais alto da cidade, uma vista belíssima. Sabe aqueles bares que no Brasil dá uma dor no bolso só de você pisar dentro? Pois é, era desse tipo, logo pensei que iria falir ali, mas felizmente eu estava errado, os preços eram os de sempre, aliás isso é uma facilidade que vemos na Europa, não importa onde você vai, os mesmos produtos sempre terão preços similares, e não importa se você é rico ou pobre, você sempre terá acesso a um lugar com uma bela vista e um bom serviço, pois seu salário mínimo é suficiente para estar num nível de dignidade frente aos outros cidadãos.

Outro ponto interessante da noite era que ao passar por alguns bares e ver os cardápios, fiquei impressionado com o número de bebidas brasileiras, algumas coisas eu nem se quer sabia que existia, Caipirinha, Caipiroska, dificilmente você achará alguém numa cidade turística que não saiba o que é isso, o negócio é mais sério do que pensei. Inclusive devo salientar que o Brasil está mesmo na moda, todo país que você for, econtrará uma marca de Brasil, pode ser em bebidas, roupas, uma bandeira, de alguma forma você verá um rastro verde e amarelo. E pra ser sincero, é uma sensação divertida ser brasileiro no meio de um monte de gringos, parece que você veio de um lugar fora do planeta Terra, e então você reconhece como é prazeroso o desafio de se adaptar àquelas pessoas com a cultura muito longe da sua, um dia ainda quero ir a Ásia fazer esta experiência.

Para fechar, ao visitar Salzburgo, não esqueça de visitar o famoso jardim “Mirabellgarten”, principalmente se você for mulher ou um homem querendo fazer uma mulher sorrir, o lugar é bacana, principalmente na primavera é claro. O transporte público também funciona muito bem e não te deixará na mão. Deixamos a cidade na manhã seguinte também de trem e só então eu reparei que não tinha comprado nenhuma lembrancinha para trazer, mas não me arrependi pois o dinheiro de trabalhor voluntário era curto, quem sabe na próxima eu trago. Obrigado a você que visita o blog, espero que esteja gostando, em breve tem mais, abraços!

Artistas de Rua por toda a parte.

Cardápio de um dos Bares.

Vista a Noite.

Rio  Salzach com vista cartão postal da cidade ao fundo.

Cadeado dos Casais em uma das principais pontes.

Lembrancinhas do Mozart por toda a parte, muito chocolate.

Xadrez Gigante.
Passeio de Carruagem?

Volta de Trem, tranquilidade ao extremo.

terça-feira, 10 de julho de 2012

O tripé da qualidade de vida

Diariamente somos bombardeados de informações sobre o que promove uma qualidade de vida real e estável, são revistas, telejornais, documentários, jornais e todos os tipos de meios de comunicação explorando o tema. Realmente este é um assunto popular e muito atual, faz parte de um movimento humano para o início de novos dias sem doenças, estresse, tristeza e por uma incansável procura de paz e bem-estar. Hoje falaremos então das três grandes bases da qualidade de vida, fortes alicerces que oferecem ao ser humano um terreno seguro para construir sua vida em tranquilidade.

A primeira base deste tripé é a alimentação. Esta base condiz diretamente com o estilo de vida que você quer levar, não só isso, como também fala muito de sua personalidade. Há até quem diga que “você é o que você come”, e isso pode ser até verdadeiro. A importância da alimentação na qualidade de vida é algo notável que pode ser percebida facilmente ao comparar uma pessoa que consome alimentos frescos e naturais, ricos em frutas, verduras, grãos etc, com uma acostumada aos tão queridos industrializados, como refrigerantes, salgadinhos, enlatados e todos aqueles com alto teor de artificialidade e química de conservação.

Na comunidade em que vivi na Escócia, praticamente 100% da alimentação era orgânica e produtos industrializados eram evitados, só tendo espaço quando realmente necessários. Era notável a saúde e a vitalidade das pessoas. Não quero responsabilizar a alimentação por isso, mas eu tenho certeza que ela é uma das principais causas desse bem-estar, logicamente, pois não é à toa que eles iriam se preocupar tanto com o que é ingerido naquele lugar, principalmente pelas pessoas com deficiência. Ser vegetariano e ter uma reeducação alimentar também é de grande ajuda neste processo de aumento da qualidade de vida.

A segunda base é atividade física, isso não precisa nem falar, pois se um dia pensarmos numa imagem da qualidade de vida, veremos alguém praticando um esporte, apesar de o assunto ser algo bem mais abrangente. Colocar o corpo para trabalhar ao limite de vez em quando faz muito bem ao sistema biológico e promove um bem-estar indescritível, além é claro da sensação psicológica de auto-estima. Os resultados adquiridos com a pratica de um esporte são reais e muito eficientes, seria até perda de tempo falar sobre isso, tendo em vista que a cultura do esporte é tão disseminada em nosso país de forma benéfica. Somos brasileiros, temos famas de bom condicionamento físico, seriamos até uma grande potência olímpica se o governo resolvesse investir nesta área, porém ainda há muito em que se investir primeiro.

E para fechar, eu não poderia esquecer da base mais importante, aquela que talvez seja a mais necessária em nosso planeta no momento, o exercício intelectual. Algo que é sempre deixado para segundo plano em meio a uma vida tão cheia de problemas, problemas que em alguns momentos poderiam ser encarados bem melhor com a ajuda de um desenvolvimento intelectual apropriado, uma leitura, um estudo, uma meditação ou qualquer coisa que exercite a mente. Aprender, tentar, reconhecer o erro, tentar de novo, é isso que move ao ser humano ao progresso, essa luta pelo avanço, pela solução dos problemas, pela absorção de conhecimento.

Mas o fator mais impressionante é que o exercício intelectual não só desenvolve a inteligência como também auxilia muito bem na saúde e na qualidade de vida, ora, não me diga que você nunca viu um daqueles velhinhos que parecem só estarem vivos porque ainda tentam usar o cerébro, por mais que estejam velhos e fracos, parece que a longevidade é um prêmio para uma vida de alta atividade mental. Sem sombra de dúvidas, ser sábio é uma ferramenta poderosa para promover a qualidade de vida, pois é esta sabedoria que auxiliará qualquer problema pessoal durante esta passagem na Terra. Por isso não se esqueça de ler, debater, conhecer coisas novas, viajar, abrir a cabeça e abraçar cada detalhe ao seu redor, pois isso lhe preencherá e lhe transformará numa pessoa rica e cheia de luz.

Portanto este é o tripé da qualidade de vida: alimentação, atividade física e exercício intelectual. Se focarmos nessas três bases e planejarmos uma vida que não esqueça de nenhuma, é garantido um sucesso e um bem-estar que não faria ninguém voltar atrás. Vale lembrar que estes três estão fortemente conectados, e que se um estiver fraco, os outros dois não terão apoio suficiente para se manter em pé, deve haver um equilíbrio e igual atenção a todos.