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quarta-feira, 31 de maio de 2023

O que mais valorizo em países livres

Vez ou outra me pego pensando sobre o que mais me causa desconforto no Brasil. Por algum tempo, talvez por apreciar o estudo da economia, tendi a acreditar que os assuntos econômicos me pareciam mais relevantes. Porém os anos foram passando, minhas visões foram amadurecendo e comecei a enxergar uma importância cada vez mais maior em algo que é muito falado, mas talvez não seja tão compreendido e bem dimensionado: a falta de segurança.

Falando assim o leitor pode estar se preparando para mais um daqueles desabafos clichês de alguém que tem medo de ser assaltado ou que fica revoltado com o noticiário constante de crimes bárbaros que quase nunca são solucionados. Mas não, ao meu ver a falta de segurança no Brasil é algo que há muito tempo passou dessa preocupação corriqueira de sofrer um assalto, tendo já ganhado proporções que alteraram com certa profundidade o psicológico coletivo e como a sociedade brasileira se organiza cultural e estruturalmente.

Ao tocar no assunto, alguém já pode se antecipar e dizer: “mas o Brasil sempre foi assim!”. E eu respondo: não, o Brasil nunca foi um país muito ordeiro, mas também nunca chegou a ser o caos e a completa hegemonia do crime como vemos hoje. Basta olhar os números para observar o aumento de crimes violentos nos últimos 50 anos, em especial a partir dos anos 90, com o aprofundamento das políticas socialdemocratas. E se você não gostar muito de números, basta conversar com alguém que viveu da década de 90 para trás. Naquele tempo já havia coisas como assaltos, roubos, insegurança etc, mas nada comparado ao cenário atual. As grandes cidades brasileiras eram muito mais tranquilas, e os interiores mais ainda, completa paz e estabilidade com crimes pontuais que vez ou outra chocavam a população.

Eu nasci no início da década de 90 e, portanto, pude testemunhar o avassalador colapso de nossa liberdade à medida em que o tempo foi passando. De lá para cá, saímos de uma realidade em que praticamente não tínhamos preocupações com o crime, usufruindo de uma paz em ir e vir e desfrutar de lugares públicos, a um contexto radicalmente diferente, em que gastamos considerável parte de nossas rendas para pagar vigilância humana, câmeras, cercas elétricas, alarmes, controles de acesso cada vez mais sofisticados, carros blindados (quem pode), assim como fomos adquirindo todo um padrão de comportamento para nos protegermos de sermos alvos.

A ascensão meteórica do crime na sociedade brasileira mudou nosso comportamento e até a estrutura de nossas cidades, áreas públicas se tornaram subutilizadas e shoppings fechados ganharam um forte impulso, passando a ser pontos de encontro e sociabilidade da população. O brasileiro não para o carro na rua sem olhar desconfiado em todas as direções, não para em um sinal de trânsito sem olhar no retrovisor se há alguma moto se aproximando, não pega um ônibus sem analisar as pessoas ao redor e tentar identificar possíveis ameaças, não deixa um pertence na areia da praia enquanto toma um rápido banho de mar, não deixa que um familiar ande a pé por ser uma área perigosa etc.

Quando um estrangeiro chega aqui, fica impressionado com o tanto de orientações alarmistas que os brasileiros fazem, achando que todo esse medo é exagero. E com frequência pode ser mesmo, mas carrega um fundo de verdade: o brasileiro vive apavorado, e quando alguém acostumado a ser livre chega no país, os residentes tentam passar a ele ou ela todas as restrições de liberdade que deve ter ciência para que se proteja.

Isso tudo já se tornou repetitivo pois já faz mais de 10 anos que se tornou uma realidade a ser aceita e até não questionada, em razão do “espírito da época”, que passou a tratar o crime como um “probleminha de comportamento” que deve ser “administrado” de forma branda e “humanista”. Cenário em que criminosos são tratados como vítimas e vítimas que se revoltam são tratadas como criminosos, uma realidade angustiante para quem busca uma justiça objetiva e comum, dentro da lógica tradicional de que quem prejudica o outro deve ser punido, sistema óbvio que funcionou relativamente bem em todas as civilizações minimamente estáveis.

O fato de o assunto ter se tornado repetitivo e muitos terem até deixado de reclamar é o que me causa mais perplexidade. O brasileiro, como que em um experimento social de adaptação de longo prazo, acostumou-se a ser confinado, aceitou sua tragédia e desistiu de lutar. É como se um homem livre tivesse se tornado escravo e por muitos anos tivesse tentado se rebelar, mas ao ver que nada acontecia, cansou, e aceitou sua triste realidade. Hoje uma pessoa de classe média comum vive em um condomínio de segurança máxima, pega seu carro, e vai de um ponto ao outro sem se expor, pulando de “ilha” em “ilha” para tocar sua vida como se tudo fosse normal, com frequência acreditando que esta é uma vida livre e ordinária de qualquer pessoa que vive em uma sociedade funcional. Se durante esta rotina ela ver alguém sendo assaltado na rua, trata-se de um evento corriqueiro, nada a se preocupar, nem a polícia é mais acionada. É assustador.

Mas o assustador mesmo é que isso não é assustador para grande parte dos brasileiros, pois os mesmos sequer sabem que existe algo diferente. Eu, como muitos que moraram em países ordeiros no exterior, ficamos perplexos com a aceitação geral da população, com a quase total entrega das liberdades a grupos criminosos e até grupos políticos que não confrontam o problema. Por isso é tão difícil a readaptação no Brasil após uma temporada fora. Quando você passa um tempo considerável em um país livre, o retorno ao “confinamento” é avassalador. É claro que isso também varia de pessoa para pessoa, e aqui chegamos ao motivo de eu falar sobre isso, pois este é um relato pessoal, e eu sou um desses que se sente muito mal com esta realidade.

Passados alguns anos de reflexão, entendi que o bem que mais vale para mim é a liberdade de ir e vir, de usufruir o mundo sem estar sempre se sentindo ameaçado, como se estivesse sempre fugindo em um estado de alerta que muito se assemelha a realidades de conflitos bélicos. Hoje em dia viver em uma capital brasileira exige um nível de alerta e mobilização preventiva maior que a de um homem medieval vivendo em um vilarejo pacato e isolado composto por algumas dezenas de pessoas. Lembro-me que os momentos mais felizes da minha vida foram em ocasiões em que pude desfrutar de grande liberdade e segurança em experiências em lugares públicos que tive no exterior: passeios de bicicleta e caminhadas no meio da estrada, acampamentos, voltar de um jantar no meio da noite pelas ruas de uma cidade etc. Coisas que parecem banais, mas têm um valor inestimável.

Imagine que existisse uma empresa brasileira que nos vendesse a mesma sensação de segurança e liberdade que temos em países ordeiros no exterior, como se fosse uma mágica. Você pagaria mensalmente um valor para ter a sensação de um europeu, um americano ou um canadense. Quanto isso custaria? Já passou para pensar? É difícil até de precificar tal serviço, pois reflete um valor imenso e abstrato. Mas tenho certeza que quem pudesse, estaria disposto a arcar com tal despesa, viabilizando uma experiência existencial muito mais rica e estimulante.

Após muito refletir, entendi que o que me fascina no estrangeiro não é tanto a possibilidade de conquistas econômicas, mas sim a liberdade que o cidadão comum perdeu no Brasil. Para quem já experimentou a liberdade, viver em confinamento é uma angústia que até acabamos aceitando, mas nunca realmente superamos. Isto também me traz outras conclusões, de que talvez não queiramos tantas coisas assim, de que não sejamos tão exigentes. Se tivéssemos um país minimamente funcional, com uma justiça previsível e confiável e o cenário da criminalidade controlado, imagino que muitos brasileiros que hoje vivem no exterior cogitariam retornar. Porém a realidade é dura, pois não há previsão para que o Brasil saia desta, devendo o estado de confinamento se prolongar por décadas.

Lembro-me daquela clássica lição de ciência política: para se construir algo bom (como a liberdade) precisamos de décadas ou séculos, mas para se destruir, bastam alguns anos. Não subestimem a possibilidade de a situação piorar ainda mais, como por exemplo com a restrição da liberdade de expressão. Isto pode acontecer de repente, e se consolidar com poucos meses. Sendo que esta é apenas uma das frontes de liberdades civis que o brasileiro pode perder, havendo algumas poucas outras que ainda se sustentam.

Adendo: esta é a realidade de um homem de classe média em uma capital do Nordeste, a situação pode variar muito a depender do gênero, posição geográfica e situação econômica de cada indivíduo.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Bolsonaro pode estar no poder, mas ainda estamos no Brasil de Lula e Dilma

Resultado de imagem para desempregados sao pauloÉ extremamente comum nos depararmos com pessoas reclamando de um momento político "atual", atribuindo o cenário não ao governante que passou por ali, mas àquele que está no poder no momento em que há a insatisfação. Este é um grande problema da democracia de massas, as pessoas atribuem tudo que está acontecendo ao governo de momento, sem compreender a amplitude dos sucessivos eventos que construíram aquele cenário perceptível.

Por exemplo, quando Lula assumiu o poder e durante todo o seu primeiro mandato, ele não governava o "Brasil de Lula", ele governava o "Brasil de FHC". Lula administrava um país com uma política a nível federal moldada durante oito longos anos por FHC e seu partido. Política pública é assim, você faz algo hoje para só ver efeito depois de uns três anos ou mais.

Neste momento, o Presidente da República é o Sr. Jair Bolsonaro, que assumiu seu cargo há cerca de nove meses. Bolsonaro não governa o "Brasil de Bolsonaro", e nem o de Michel Temer (que esteve no poder por dois anos), Bolsonaro ainda governa o "Brasil de Dilma Rousseff" e seu Partido dos Trabalhadores. A conjuntura econômica que vivemos neste momento foi construída por aqueles que estiveram no poder nos últimos dez (ou mais) anos. É verdade que Michel Temer mudou esta rota, mas ainda faz muito pouco tempo para as alterações serem sentidas.

É claro que algumas coisas acontecem e podem ser atribuídas ao mandatário de momento. Por exemplo, o Brasil neste ano teve uma queda significativa na ocorrência de diversos crimes, como roubos de carga, estupros e homicídios. Tenho certeza que muitos discordariam de mim, mas atribuo esta queda ao fato de termos um presidente extremamente hostil a esses crimes que há anos perturbam acintosamente a ordem social brasileira. Sei que a segurança pública não é uma responsabilidade da união, porém desconfio que parte da "bandidagem" está pensando mais antes de proceder com seus crimes, com a ideia de que se fizerem coisa errada, "o Bolsonaro vai pegar".

Mesmo considerando estas exceções, as políticas públicas demoram um tempo para serem sentidas, principalmente no que se refere à economia. Neste campo, o que a equipe de Bolsonaro liderada por Paulo Guedes está fazendo - e ao meu ver está fazendo bem - só será sentido daqui a alguns anos, talvez uns dois. Além dessas coisas levarem um tempo, ainda há a demora para que o Congresso aprove as medidas, como a Reforma da Previdência, essencial para o equilíbrio fiscal do país, mas que só deve ser aprovada pelo Senado no começo de outubro. Vamos demorar longos dez meses para aprovar uma reforma que já deveria ter sido feita há anos. Mas não deveríamos nem reclamar, afinal pelo menos as coisas estão acontecendo, depois de tudo que passamos, a situação poderia ser bem pior.

Por isso se alguém reclama da situação econômica neste exato momento e atribui os números a Bolsonaro, atrevo-me a dizer que este alguém não tem muita noção sobre como as coisas acontecem. Críticas mais contundentes ao governo Bolsonaro poderão ser feitas quando seu mandato estiver chegando ao fim, talvez a partir de 2021. Antes disso os ataques não deverão passar de espantalhos ou de manifestações ressentidas de quem ainda não aceitou o resultado das eleições em 2018. Como costumavam dizer no início do segundo mandato de Lula: "deixa o homem trabalhar". É impressionante como "deixar o homem trabalhar" não parece ser uma ideia palatável aos agitadores quando seus representantes não estão no poder.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Coletivismo não é fraternidade e Individualismo não é egoísmo

Resultado de imagem para coletivismoUma das grandes dificuldades no processo de difusão do pensamento liberal é a desmistificação de alguns termos que até então parecem favorecer os socialistas. Dois desses termos, muito citados na literatura liberal, é o "individualismo" e o "coletivismo". O primeiro nós ouvimos desde que somos crianças: "Não podemos ser individualistas, temos que dividir.", o mundo nos diz. E com toda razão, a solidariedade e a partilha são parte de nossa cultura e considero algo benéfico.

Acontece que, quando falamos de Ciência Política, o "individualismo" não significa esta noção de egoísmo e mesquinharia, e sim a liberdade de determinada pessoa agir da maneira que quiser, contanto que não fira as leis que regem a sociedade (e sim, as leis são necessárias). No modelo "individualista", o Estado é formado em torno da proteção do indivíduo, e não de grupos, isto garante que a autonomia de cada pessoa seja respeitada, protegendo, em especial, as minorias, aquelas que a esquerda costuma defender sempre mas não admite que são as mais perseguidas quando seus regimes socialistas se encaminham para realidades autoritárias.

O segundo termo, "coletivismo", soa como algo benevolente, ligado à fraternidade entre os homens: "Pensemos no coletivo!", dizem. E não há nada demais nisso, contanto que se atue coletivamente de forma voluntária, e não se utilize a força coercitiva do Estado para criar estruturas de proteção a determinados grupos (o que acontece muito no Brasil). Um modelo de Estado coletivista não pode conviver com um modelo individualista, quanto mais coletivista um Estado, mais ele compromete a autonomia individual e força as pessoas a se sujeitarem a um suposto "bem comum", e foi exatamente isto que aconteceu com as ideologias colocadas em prática ao longo do século XX. No começo, parecia uma salvação coletiva rumo a um paraíso, depois, logo se transformou em um inferno administrado por uma elite despótica.

Há de se destacar que uma pessoa que defende um regime político "individualista" não necessariamente é alguém que pensa apenas em si mesma, pelo contrário, talvez esta pessoa esteja bem inserida socialmente e coletivamente, mas por uma convicção ética prefere um modelo que proteja as "minorias" e até ela mesma (caso um dia ela se torna alguém "diferente" do todo"). Assim como uma pessoa "coletivista" talvez não seja tão fraternal assim. Muitos coletivistas - e aqui destaco os socialistas - são daqueles que endossam uma ideologia política que poderia salvar a humanidade mas não têm a coragem de mover uma palha para ajudar alguém mais próximo, como um familiar que está logo ali ao lado. Em outras palavras, são aquelas pessoas que "amam" a humanidade mas odeiam o ser-humano.

Estados individualistas formam estruturas sociais voluntaristas, enquanto Estados coletivistas formam estruturas sociais coercitivas. Há uma grande tendência a nos deixarmos levar por promessas de regimes coletivistas, pois costumam prometer "fins" compensadores, entretanto devemos haver cuidado com essas promessas, afinal um grande Estado capaz de "fazer o bem" é um grande Estado capaz de fazer o mal. Portanto, por via das dúvidas, talvez seja melhor manter este Estado contido, evitando assim processos de tiranização. Isto é Ciência Política clássica, coisas que fundaram nossa civilização, mas parece que há a necessidade de sempre relembrarmos, principalmente em um país em que seus cidadãos cedem tanto poder aos governantes, abrindo mão da própria liberdade em troca de promessas de direitos e segurança econômica.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Porque a direita brasileira é tão desorganizada


Durante meus anos de faculdade, período em que construí minha formação no curso de Ciências Econômicas, muito me preocupava a situação do Brasil com o caminho que o país seguia ao continuar sob o controle do Partido dos Trabalhadores. Com esta preocupação, passei a me envolver mais com política e ajudei a fundar um grupo de estudos liberal em minha universidade. Este envolvimento não foi só no âmbito das articulações, mas principalmente nos estudos. Percebi que a única forma de se opor à força das tendências socialistas que imperavam no país, era conhecendo "o que pensa o outro lado", foi então que encontrei Hayek, Friedman, Mises, Ortega y Gasset, Bastiat, Kirk, Scruton e uma série de outros pensadores muito conhecidos no exterior, mas curiosamente ocultados no cenário nacional.

À medida que ia aprofundando nos estudos e conhecendo a dinâmica da guerra política brasileira, fui me surpreendendo com o tamanho da força que a esquerda tinha, muito embora o brasileiro não fosse lá esse povo letrado e "por dentro" de ideias políticas. Você só percebe a bolha em que nossa gente está, quando passa a ler coisas que os acadêmicos brasileiros não gostam. Se você tiver morado no exterior, este enclausuramento intelectual fica mais visível ainda. Foi então que passei a querer entender: por que praticamente não existem "vozes de direita" no Brasil? Ora, aparentemente toda democracia que se preze tem um partido conservador, liberal, liberal-conservador ou algo do tipo, mas neste país não havia absolutamente nada.

Já ouvi uma teoria de que isso tem tudo a ver com o "desgaste" da direita após os anos de domínio coercitivo dos militares, e tenho de concordar que isto realmente faz sentido, mas um ponto que passei a observar é que, a grosso modo, esquerdistas são intensamento engajados em política, enquanto direitistas só querem cuidar de suas próprias vidas e não se envolver em assunto desgastantes como "os problemas inerentes à sociedade e à administração pública". Durante muito tempo, inclusive, envolver-se com política era algo que levantava enormes preconceitos, como se fosse "coisa de quem não tem o que fazer", o que deixava o caminho totalmente aberto para os esquerdistas dominarem todas as esferas do Estado, educação e linhas editoriais.

Uma coisa que tentava explicar para os meus colegas "estudantes de gestão" é que, de fato, suas carreiras eram muito importantes, mas se eles ignorassem completamente a política ficariam nas mãos daqueles que se interessam, e então eu apontava o dedo em direção aos blocos dos cursos de humanas, onde o debate político é intenso, constante e acalorado, sendo pautado quase que completamente pelos esquerdistas, tanto pelos alunos quanto pelos professores marxistas que parece que vivem em função de seus "ideais revolucionários", transformando o campus universitário em uma espécie de quartel general das suas articulações ideológicas.

Envolver-se com política enquanto se está estudando em uma faculdade "apolítica" é extremamente desgastante, as pessoas simplesmente não gostam de "misturar as coisas", e se você tentar promover algo que desperte consciências, é simplesmente mal visto, como uma espécie de "agitador inconveniente". Cenário totalmente diferente dos cursos de humanas, onde aqueles que promovem assuntos políticos de forma saudável e civilizada são respeitados e até destacados pelos próprios professores. Alunos de administração, por exemplo, costumam ser economicamente liberais, mas se interessam muito pouco por política, e então não entendem porque é tão difícil empreender no Brasil, ou mesmo ser um empregado, enfrentando longas jornadas de trabalho para ganhar um pequeno salário que é dividido com o governo.

Por negligenciar suas próprias cidadanias, os "direitistas" acabam ficando nas mãos dos esquerdistas. Insistem em reclamar dos políticos e falar mal de tudo e de todos, mas não fazem nada para contribuir na "guerra ideológica", apenas continuam "cuidando de seus negócios", não entendendo muito bem porque o país parece estar entrando em uma espécie de caos entrópico. Esta omissão em não tentar entender o que acontece na política de seu própria país, custou caro a todos nós com os escândalos promovidos pelo Partido dos Trabalhadores enquanto governavam. Felizmente Dilma Rousseff sofreu impeachment e eventos piores não aconteceram (e tinham tudo para acontecer).

Mas parece que as coisas estão mudando, ao jogar o sistema político em uma grave crise moral, e o povo em calamidade econômica, o PT acabou por gerar uma enorme força de reação, forçando milhares de brasileiros a se interessarem por política, talvez por terem visto o que estava acontecendo na Venezuela, passando a se preocuparem com a manutenção de suas próprias vidas. Mas esta "reação momentânea" não é suficiente, caso queira transformar o Brasil em um país digno de atenção, aqueles que se identificam com a direita devem passar a ocupar espaços de forma sustentável e prolongada, criando no longo prazo uma nova cultura política em nosso país.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Os brasileiros não são democratas

O que prejudica o debate político brasileiro desses tempos é que há um certo desprezo por aqueles de opinião divergente. O brasileiro tem muita dificuldade em ouvir e simplesmente respeitar determinada posição que não esteja alinhada com suas próprias ideias.

Paradoxalmente somos bem tolerantes quanto à pluralidade religiosa, mas extremamente inquietos quanto à heterogeneidade de pensamento político. Observando a democracia francesa, britânica ou americana, nota-se um verdadeiro zelo em proteger o “divergente”, como se o bom funcionamento do “todo” dependesse do atrito mantido pelos “poucos”.

Aqui, se o sujeito fala que é a favor da liberação das drogas, não se conclui que ele tem argumentos razoáveis que fundamentam sua ideia, mas que é um “Zé Droguinha” querendo melhor acesso aos produtos. Se o sujeito é contra o desarmamento, não se pensa que ele refletiu sobre a melhor maneira de termos um país mais livre e pacífico, mas que deve ser algum tipo de psicopata belicista que vai sair por aí aterrorizando tudo e todos. O diálogo fica inviável, os bons se retiram, e a palavra acaba ficando com aqueles que transformam tudo em um grande ringue de calúnias e destruição de reputações.

Este é o cenário ideal para a ascensão de mentes totalitárias, afinal, onde não há diálogo civilizado, haverá o embate pela força, e o embate pela força costuma resultar em um vencedor tirânico o suficiente para calar todas as vozes dissonantes. A democracia parece não ter sido pensada para um munco incivilizado. Quando a voz é concedida a todos e nem todos sabem usar a palavra, o resultado é o caos e a materialização dialética da degeneração. Aqueles que cultivam o bom debate acabam sendo suprimidos por aqueles que passam por cima de todas as regras.

A democracia pode ser bela em um pequeno vilarejo suiço onde todos se conhecem e avaliam as opiniões uns dos outros com respeito e cordialidade, mas em um grande território tomado pelas massas e pela desigualdade, o resultado parece não ser aquele pensado pelos gregos. A tendência é a busca imediata por vantagens, com pouca ponderação e quase nenhuma prudência, sendo necessário algum limite que proteja a liberdade individual.

Entra então o império da lei. Entra então o constitucionalismo. Mas nada adianta uma constituição que não limite o poder da maioria, e que ao invés disso aprofunde a força deste rolo compressor que parece não dialogar com o divergente. Penso que esta é a maior diferença entre a constituição americana e a brasileira, e por motivos de incompatibilidade geográfica e demográfica, considero um erro pensar o que seria bom para o Brasil tomando por referência os países europeus e seus modelos de bem-estar social feitos para uma população homogênea e uma economia já altamente produtiva. Nessas terras selvagens, ou temos lei, ou temos despotismo.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O socialismo não leva ao socialismo

Seria interessante se o socialismo realmente nos levasse ao socialismo, não que em algum momento o socialismo chegasse a ser um sistema moralmente aceitável, mas se pelo menos funcionasse e nos levasse a uma condição de sobrevivência tolerável, poderíamos até reconhecê-lo como algo "discutível". Porém a realidade é muito, muito longe da teoria. O socialismo não nos leva ao socialismo, ele nos leva à escravidão.

Imagine um senador do PSOL defendendo esta ideologia e dizendo que com ela teremos mais liberdade, ele pode ter as melhores intenções, mas desconhece o que está realmente defendendo. Quando jovens inexperientes caem neste erro podemos até tolerar, mas adultos experientes defendendo tal ideia somente nos leva a duas possibilidades: (I) o sujeito tem alguma deficiência cognitiva ou (II) trata-se mesmo de um mau-caráter querendo subir ao poder.

Está mais que provado, tanto pela teoria praxeológica austríaca, quanto pelas experiências históricas reais, que a tomada dos meios de produção e a coletivização da propriedade pelo estado nos leva, inevitavelmente, ao colapso econômico, à destruição de riquezas, à pobreza e, consequentemente, ao despotismo, pois apenas uma tirania violenta conseguiria se manter no poder frente à dizimação humana que estaria em curso.

Em outras palavras, podemos apenas relacionar "socialismo" a "liberdade" se deturparmos completamente o sentido de "liberdade", de forma tal que um presidiário pudesse ser considerado um homem livre, simplesmente porque ele tem um teto, alimentação e pequenos momentos de lazer. Ora, não seria isso a situação do regime cubano em suas devidas proporções? Será que isso é liberdade para os socialistas? Simplesmente sobreviver? Não entrarei no mérito se os cubanos são felizes ou não, eles podem até ser, assim como um escravo pode ser feliz ao ser bem tratado por seu senhor. Mas isto definitivamente não é liberdade.

Eu sou mais feliz sendo livre, pois gosto de tentar coisas novas, empreender, ter meus projetos individuais, lidar com o desconhecido, mas este sou eu, e sei que nem todos aspiram os mesmos valores. Você não precisa ser livre para ser feliz, até porque quanto mais liberdade se tem, mais responsabilidade também é colocada sobre seus ombros. O socialismo é uma revolta contra a responsabilidade, é uma luta pela libertação da realidade, é uma fuga e, sendo um pouco mais duro, uma forma de suicídio.

Aquele socialista cheio de energia humana e que vive falando de amor, está, na realidade, morto, ele está se desligando das coisas como elas são, ele não quer alterá-las de forma engenhosa e racional como os empreendedores, ele quer a destruição imediata de tudo e um redirecionamento cósmico para sua utopia. Ele busca liberdade e, sem perceber, conduz a sociedade à escravidão, ao declínio e até a sua destruição.

E o que esperar de um país onde as aspirações políticas estão canalizadas para um objetivo intangível? Simplesmente a ascensão da demagogia mais vulgar, da hipocrisia, da mentira e do solapamento dos valores morais mais fundamentais. Quanto mais forte é o ideal socialista em uma sociedade, mais caótica ela será, e quanto mais tempo ela for liderada por tais ideias, mais difícil será reverter o processo. A vigilância sobre o avanço desta ideologia deve ser constante, implacável e incansável, pois nós ainda temos um pouco de liberdade, mas seria lamentável se nossos descendentes fossem coagidos a acreditar que "não há nada mais livre que a escravidão".

sábado, 5 de abril de 2014

Opinião pública, não custa nada questionar

Será que ninguém desconfiou algo de errado com esta pesquisa sobre as causas do estupro no Brasil? Será que seremos conduzidos como um passivo rebanho em toda publicação polêmica promovida pelo governo para sabe se lá quais objetivos? Vamos raciocinar, ao observar esta sociedade é fácil perceber que qualquer homem brasileiro é acostumado à presença de meninas e mulheres com trajes curtos ou que para alguns podem ser até provocantes, pouco importa a definição. Até parece que um short curto ou um decote leva o homem ao estupro, logicamente esses criminosos já tendem a praticar tais atos e pouco importa o traje de suas vítimas. A culpa é sempre do estuprador e ponto final, nem precisava de pesquisa sobre isso.

Eu não sei quanto ao seu caso, mas se eu perguntar para 10 pessoas de meu círculo social quem é o culpado pelo estupro eu tenho quase certeza que pelo menos 9 irão dizer que o traje utilizado pela mulher está longe de ter alguma culpa nos casos de violência sexual. Não é possível que ninguém parou para analisar que a pesquisa entrevistou pouco mais de 3.000 pessoas, sendo grande parte delas de baixíssima instrução.

A maioria das pesquisas do governo não retrata um perfil da heterogênea população brasileira, geralmente essas pesquisas acabam apenas por promover pseudo-heróis da justiça social e artistas que se aproveitam da polêmica para aparecerem um pouco nas redes sociais e garantirem um aumento de cachê para seus próximos trabalhos.  Além de também servirem para futuras criações de leis "humanitárias" que por trás escondem falcatruas políticas às quais estamos habituados.

Existem tantas coisas importantes ocorrendo atualmente no país e ninguém parece se manifestar, é impressionante a facilidade que os governantes possuem para ludibriar o povo com suas pesquisas de opinião e seus assuntos irrelevantes que buscam dividir a nação em classes conflituosas. Não quero dizer aqui que pesquisas de opinião pública são irrelevantes, mas não podem ser aceitas em primeiro ato como verdade absoluta ao ponto de jovens saírem por aí tirando fotos sem roupas nas redes sociais pedindo respeito, fala sério. Vamos pensar direito sobre como evitar violência sexual? Então vamos investir em educação, punir os criminosos com veemência, proteger e apoiar as vítimas e mostrar para a sociedade quais as consequências que um indivíduo deve enfrentar ao praticar tal crime.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Morada iluminada


Procuramos os porquês, não encontramos motivos, desconfiamos da justiça de todas as coisas, rendemo-nos às explicações sem sentido, consideramos manifestações aleatórias. Viramos o rosto e a mente, ocupamos a caminhada com desejos fúteis e estilos de vida pouco racionais. Usufruímos de condições que pouco nos esforçamos para chegar, procuramos a felicidade onde não existe, iludimo-nos com pequenos e inseguros sorrisos. A preferência é dançar com os homens, mesmo estando claro que a música não parte deles.
Na dança dos homens, poucos descansam, poucos inspiram o prazer do real bem-estar e do equilíbrio, enquanto a maioria sofre na angústia dos castigos materiais e no próprio casulo da mentalidade mal conduzida. Todavia o caminho é escolhido por vós, que impulsionados pelas paixões da alma, optam pelo sofrimento e fogem da resignação que tanto vos é oferecida. Se tantos sofrem, e pra poucos é dada a oportunidade de servir, como preferem retroceder ao caminho obscuro do egoísmo?
A passagem é curta, e o descanso dos sacrifícios é amplo para aqueles que aqui se esforçam, porém nada digo dos que munidos de grande poder, viram as costas e atingem seus olhos com o impregnante pó do orgulho descabido, deixando-se levar pelos mais fúnebres gozos, aqueles que deveriam ser a última satisfação na vida de um homem, ou até poderiam nem existir. Por que precisamos de tanto? Ora, se o pobre rapaz da calçada não carrega mais que a luz divina, a única consolação e esperança para uma segunda chance, aprisionado na inocência de sua alma deslocada, entregue à obscuridade do vício e da violência.
O que vale um travesseiro a mais, quando outros nem um possuem, o que vale um relógio a mais, quando outros nem as setas do ponteiro sabem entender, o que vale a ostentação se quando partimos dessa vida nada levamos. A moral está na razão e vice-versa, fora dela não passamos de pestes desmioladas vivendo a mercê dos impulsos da ignobilidade. As imagens a seguir foram fotografadas na cidade de Fortaleza-CE, bairro Meireles, zona nobre da cidade, na manhã deste dia. Foram precisos apenas 23 minutos de caminhada. Para ampliar, basta um clique.
















"Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados. - Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados. - Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o reino dos céus." (S. MATEUS, cap. V, vv. 5, 6 e 10.)

sábado, 15 de janeiro de 2011

Moral torta brasileira


Nosso país é um local onde o estudo da moral, da ética e da boa conduta é indiscutivelmente propício e necessário, afirmo isso pois a população ainda apresenta um estado embrionário neste aspecto, e teremos que guiar nossos jovens por longas décadas até um cenário satisfatório, períodos já vividos por outras nações que hoje podem se dedicar a filosofias, ciências e tecnologias mais avançadas.
É importante saber que onde há carência de evolução, há carência de entendimento, portanto este assunto, nesta terra, ainda permanecerá dentre os mais centrais nas discussões que pautam o progresso. Olhemos para o que acontece em nossas limitações sociais, o que vemos? Uma grande insegurança moral, uma fraqueza maligna espalhada pelos quatro cantos deste país, um rio ignóbil desaguando num mar de desonestidade e ambições egocêntricas sem valor. Vemos, em poucas palavras, uma “Moral Torta”.
O brasileiro, sem generalizações, mantém em sua mente uma ilusão que muito o conforta, trata-se de um processo de auto-perdão moral com base nas atitudes de outrem, ou seja, o indivíduo julga seus atos a partir do que seus semelhantes estão fazendo, uma característica mui observada entre as crianças, mentes infantis.
Neste país é incrível a facilidade que um homem tem de se tranquilizar ao proceder um ato imoral, ele apenas lembra de alguém que fez pior e se auto-autoriza a conduzir suas atitudes inescrupulosas.
Imaginemos o raciocínio de um policial corrupto ao ser surpreendido com uma oferta em dinheiro para liberar um criminoso, ele pensa: “Ora, se o delegado foi subornado com um carro semana passada, por que eu não posso faturar esta pequena quantia?”, ou um homem recém casado derrubando os laços matrimoniais: “Ora, se o meu amigo está traindo a mulher, por que eu, que nunca fiz nada errado, não posso dar uma pulada de cerca?”.
Desta maneira a sociedade sofre um efeito dominó que a empurra gradualmente ao abismo, no caso do Brasil, já nos encontramos num abismo tão profundo de imoralidades que muito me surpreenderia se ainda não tivermos começado a caminhar numa trilha segura, que nos leve a uma condição de maior leveza e autonomia ética.
É essencial que se aclare na mente de nossa gente que as decisões e atos individuais definem o corpo moral de todo o meio social, e que cada um detém uma grande responsabilidade frente ao coletivo. Julgar a gravidade dos atos com base em situações esdrúxulas é parvoíce, está na hora de crescermos.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Brasil e educação


Estamos nos aproximando de mais um período de eleições em nosso país, de norte a sul os eleitores escolhem seus candidatos em função de seus históricos e propostas, bom, isso é o que se espera. Dentre as propostas oferecidas pelos nossos honestos políticos, estão projetos para melhorar os principais alicerces responsáveis pela manutenção da sociedade, são eles, segurança, saúde, emprego, moradia, infra-estrutura, educação, etc.

Segurança é bom e nós precisamos, emprego também, o cidadão precisa se sustentar, moradia e saúde então, nem se fala, e o que dizer da infra-estrutura, essa é essencial para o progresso. Opa, sentiu falta de alguma coisa? Eu senti, eu sinto, eu estou sentindo há muito tempo, onde está a educação? Por que nós vemos tão poucos projetos para a educação brasileira? Ah, besteira, o importante é o emprego, o bolsa família, o bolsa casa, o bolsa lanche, o bolsa forró, o bolsa cachaça, o bolsa arma de fogo. Ah! Quase esqueci, tem o bolsa escola, olha só, e eu reclamando de barriga cheia. Me engana que eu gosto Presidente.

Vivemos em um país em que as pessoas não se respeitam, matam, roubam, trapaceiam, poluem e não seguem as leis. Mesmo assim ele cresce, o que é normal para um país democrático, estável e de dimensões continentais, mas poderia ser melhor. Como poderia ser melhor? Com educação, claro! A educação é a base, é ela que permite o Brasil crescer de forma saudável, de forma com que não regrida e ocupe sempre um lugar de destaque no cenário internacional. Você já viu o que acontece com a maioria dos ganhadores da Mega-sena? Eles ficam milionários da noite para o dia e depois de um bom período de atividades perdulárias estão sem nada, apenas com a história para contar. Quem sabe se eles tivessem alguma educação financeira, alguma noção de investimentos ativos ou qualquer base de instrução econômica que possibilitasse a boa utilização do dinheiro, talvez a história fosse diferente.

Vejo as pessoas exigindo segurança, saúde, moradia e infra-estrutura. Bom amigos, se o país investisse maciçamente em segurança, convocando milhares de policiais e comprando mais milhares de viaturas, nós só iriamos presenciar uma grande guerra, mortes, sangue, órfãos, viúvas, medo e terror. Se fossem construídos grandes hospitais e comprados toneladas e toneladas de medicamentos, teríamos uma população acostumada a ir ao médico a cada espirro e a se entupir de remédios a cada dorzinha de cabeça (não estou desconsiderando a importância dos hospitais e dos medicamentos). Se o governo oferecesse casas para a população, rapidamente 50% delas estariam alugadas (o que acontece), 25% seriam transformadas em bares, boates e outros estabelecimentos do gênero e o resto seria utilizada de maneira inadequada, sim, existem pessoas que não sabem usar uma casa. 

Se fosse investido mais alguns milhões em infra-estrutura, o viaduto novo seria pichado e habitado por sem-tetos, o canal novo seria presenteado diariamente por sacos e mais sacos de lixo provenientes das residências da região, a praça seria utilizada como ponto de venda de drogas, enfim. Nossas cidades crescem desordenadamente, são casas e mais casas improvisadas se aglomerando bem ao estilo Roma Antiga. Sem problemas! O governo vai construir milhares de residências, bem estruturadas e principalmente com um bom espaçamento entre elas, um espaço para jardim na frente e piscina atrás, como aquelas que vemos nos filmes estado-unidenses. Vamos fazer uma experiência, neste momento todos os brasileiros que necessitam de moradia melhor se desligaram, desmaiaram e essas adoráveis casas apareceram sob seus domínios com a seguinte mensagem na parede: "Olá companheiro, estou lhe presenteando com esta adorável casa, abaixo ofereço um mapa para conhece-la sem transtornos.". Finalmente! O seu Zezinho ganhou a casa que sonhava! Bom, já se passaram dois dias, tempo suficiente para se acomodar, então vamos entrevistá-lo:

- Iaí seu Zezinho, muito feliz?

- Nossa, feliz demais!

- Então vai ficar aqui mesmo?

- Isso lá é pergunta rapaz!

- Bom seu Zezinho, eu vi que você fez uma festinha de comemoração ali fora não foi?

- Ah sim, foi, sábado eu chamei a moçada pra comemorar ali fora, coloquei umas "mesinha", fiz um churrasco e o samba foi até a voz faltar.

- E você não vai dá uma organizada lá?

- Ah, depois eu mando os "menino" tirar as "mesa" e passo uma vassoura.

- Tem muito lixo ali, você não se incomoda?

- Que isso rapaz, com uma casa dessa aqui pode vir até minha sogra morar comigo que eu não me incomodo.

- Tá certo, mas você sabia que a sua casa foi privilegiada e ganhou cestos de lixo para coleta seletiva bem ali na calçada, você vai separar o lixo?

- Separar? Ah sim! Os "osso" a gente joga pros "cachorro" e quando é resto de comida a gente bota num saquinho diferente pra não misturar né...

- Hum, tá certo...E o belo gramado, por que já está tão desgastado?

- Aaah, isso ai é que eu resolvi abrir uma escolinha de futebol pros "menino" da vizinhança, começou ontem, cada um paga 10 "contim", já tem 12 jogando, o meu tá fazendo tanto gol que eu tô pensando em levar ele lá no Ferroviário.

- Ok Seu Zezinho, agora nós vamos ali entrevistar o Seu Guga da rua do lado.

- Seu Guga? Eita rapaz, cuidado, ele num é muito normal não...

- Pode deixar, tô acostumado...

Bom, já deu para notar que por mais que o Brasil invista no que a população acha que precisa, o resultado não seria satisfatório.

Agora vamos fazer mais uma experiência, para tudo! Para o tempo! Parou? Beleza, agora eu quero escolas de primeiro mundo, equipamentos de ponta, tecnologia, bons professores bem remunerados, bibliotecas, arte, muita arte! Música! Filosofia! Eventos culturais, cinema para todos, incentivo a leitura e muito mais! Pronto, pode apertar o "play". Vamos deixar o Brasil "brincando" de aprender durante 10 anos.

10 anos se passaram, olha só, o que houve com a criminalidade? Simples, agora os jovens aprendem uma profissão, são estimulados a sonhar, são ocupados integralmente com atividades educativas, a maioria não sabe o que é uma arma e só viu uma pedra de crack nos livros, e segundo o que leram, nem é preciso conhecê-la pessoalmente, tocar violão é mais interessante, fazer cálculos matemáticos, assistir um bom filme na videoteca da escola, o mundo é grande.

E a saúde? Que esquisito, porque tão poucos pacientes? Simples, a população está se cuidando, sabe se alimentar, pratica esportes, respeita o próprio corpo, evita tomar remédios, enfim.

E as casas que o governo construiu? Por que estão sendo tão bem utilizadas? Simples, a população conhece outras formas de ganhar dinheiro sem alugar suas casas, conhece a regulamentação para se abrir um negócio na própria residência e sabem como ninguém como desfrutar e preservar o lugar onde moram.

E a infra-estrutura? Como está bem planejada e conservada! Simples, temos grandes engenheiros que trabalham arduamente pela excelência de cada obra e o povo preserva e respeita os bens públicos, isso porque eles sabem que o dinheiro investido nas obras sai do bolso deles.

E que manifestação é essa na avenida? Não estava tudo bem? Ah, isso é porque estão desconfiando de um Deputado que usou dinheiro público para pagar um jantar com a mulher, o povo não deixa passar nada!

Concluímos que a educação requer um tempo, talvez um longo prazo, mas quando estabelecida, é notável o seu impacto na sociedade, criando indivíduos virtuosos, justos, honestos, de bom caráter. E desta maneira a base é construída para o progresso, o progresso regular, igualitário, racional. Será que não valeria a pena investir neste bem essencial?

A educação brasileira está falida, tanto em sua estrutura física, quanto em sua estrutura aplicativa. Alguns podem defender a qualidade do ensino particular, pois tenho dito, os pais que possuem condições financeiras, pagam uma quantia exorbitante para verem seus filhos acordarem cedo já desistindo do dia, desestimulados, carregando quilos de livros, chegando a uma sala de aula onde passam 3 longas horas sendo metralhados de informações que não oferecem a mínima noção aplicativa para os pobres adolescentes se interessarem um pouco, depois eles saem para o intervalo e passam 30 minutos ouvindo músicas de baixa qualidade em seus "iPods", dormindo ou conversando com o colega sobre a vida de terceiros localizados no outro lado da escola (como se estivessem encarcerados em uma cela social), retornam à sala de aula e ficam mais 2 horas sendo bombardeados, ali presos, numa cadeira, pequena, junto com seu caderno e sua caneta, até a grande hora do alívio, quando eles vão para casa e passam a tarde dormindo, fazem os exercícios de Física porque são obrigados e procuram distrações na TV ou no computador até altas horas da noite, repetindo-se o ciclo. Ah, nos finais de semana eles saem, bebem, buscam algumas horas de felicidade ilusória e carregam seus acervo de histórias para contar para os colegas nos intervalos das aulas da semana que se aproxima.

Os estudantes não criam, não questionam, não sabem o que faz um vereador, não pensam nos outros, querem se individualizar com fama ou dinheiro, são seres passivos na sociedade, sem brilho, sem personalidade, amedrontados, a única coisa que é cobrada deles é um boletim verde no final do bimestre e um bom resultado no vestibular, ah o vestibular, uma das maiores competições de memorização do mundo, ganha quem viver e aprender menos e memorizar mais, e depois que acabar a prova, pode esquecer tudo. Espero que o novo ENEM seja uma sementinha de mudança.

A educação é o remédio, como diz o Senador Cristovam Buarque: "O problema do Brasil é cultural.". Pena que educação não ganha voto e Buarque foi derrotado nas eleições presidenciais de 2002. Um homem não cresce sem conhecimento, um país não cresce sem educação. Desistam desta grande bolha econômica, do que adianta um país rico onde continuaremos vendo lixo no chão, brigas de trânsito, patrimônio público mal-tratado, pessoas desonestas, entre outros comportamentos desta sociedade sub-desenvolvida, os quais estamos "acostumados".

Abraços!

domingo, 4 de julho de 2010

Brasil, poderia ser assim


Vamos reescrever a história. Século XV, época das grandes navegações, a América é descoberta por Colombo ao conduzir seus navios até às ilhas caribenhas, 8 anos mais tarde, Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil. Pero Vaz de Caminha em sua carta escreve só maravilhas do Brasil, a corte portuguesa se apaixona pela notícia e começa uma grande campanha de povoamento no novo mundo. Um povoamento inteligente, feito por educadas famílias portuguesas afim de explorar os recursos daquela terra para integral uso interno, sempre em paz com os Índios e com os estrangeiros que viriam mais tarde, como Holandeses e Franceses.

Os Holandeses povoariam o Nordeste e comandariam a produção de cana de açucar que renderia ampla riqueza para o país e fundariam a Nova Amsterdã em Pernambuco. A exploração do ouro renderia investimentos em educação e infra-estrutura para o crescimento ordenado da nação. A Independência viria logo cedo com a visível soberania Brasileira frente a corte Portuguesa, um grande escudo contra a exploração Inglesa, que não contou com o consumo perdulário dos Brasileiros após sua Revolução Industrial. A população bem educada seria inteligente suficiente para saber que adquirir itens como patins de patinação no gelo para um país tropical era desperdício, e a Inglaterra não lucraria tão demasiadamente sobre nós.

O Brasil dividiria a soberania das Américas com os EUA, que também vinha prosperando, mas sempre um pouco atrás da ex-Colônia Lusa, que a cada ano aparecia com novidades em sua indústria, como a invenção do "Silvismo", uma forma de produção em massa de veículos automotores criada por um Brasileiro chamado João da Silva (personagem fictício), esse se tornou um dos homens mais ricos e mais conhecidos do mundo, um retrato da prosperidade verde e amarela. Nosso país também se destacaria na Aviação, com a invenção de Santos Dumont, uma série de investimentos era voltada para o ramo, que encheu nossos cofres durante a primeira e segunda guerra mundial. O Brasil não participou, somente vendeu sua alta tecnologia para os países protagonistas. Pessoas fugiam a todo instante para nossa terra devido a Guerra, Asiáticos e Europeus principalmente, ajudando a combater o problema da mão de obra que começava a incomodar um pouco devido ao grande número de vagas de emprego ociosas.

Na segunda metade so século 20 o Brasil também forneceria ao mundo uma série de novas tecnologias, entre elas o Computador Pessoal, desenvolvido por Bill Freitas, filho de Português com Holandesa. O CP (Computador Pessoal) foi uma revolução na vida das pessoas e deu ao mundo uma velocidade incrível na troca de informações. Na década de 90 já seriamos a super potência, dona de 35% do PIB mundial. Além de toda prosperidade na indústria, o mundo dependeria de nós se tratando de fornecimento de alimentos devido a grande produção agrícola e agropecuária. A população mundial se interessaria em aprender o português para nos acompanhar com maior êxito.

Então, estamos no ano de 2010, somos a maior potência econômica do globo, nossa cultura derruba todas as barreiras, sim, temos Tailandeses dançando Forró, Suecos comendo Aracajé (os baianos criaram uma grande rede de comida rápida que se espalhou pelo mundo) e Ingleses vibrando ao assistir o Campeonato Brasileiro de Futebol, inclusive vestindo as camisas de nossos clubes. Falando em Futebol, nosso campeonato é algo parecido com a atual NBA, um certame milionário onde os craques nunca deixam seu país e os ingressos de temporadas que ainda acontecerão se esgotam rapidamente, somos hegemônicos no esporte, chegando à 10 títulos mundiais e prestes a sediar a quinta Copa em nosso território. O esporte é um dos meios mais utilizados para mostrar nossa força ao mundo, as Olímpiadas acabam sempre com o verde e amarelo em primeiro lugar, nossa mescla de raças nos enchem de talentos anormais para cada esporte. Participamos das Olímpiadas de Inverno, não com tanto êxito, mas nunca saimos em branco.

Nossa política é sublime, formada por homens e mulheres honestos, em busca de um país perfeito, o último acusado de corrupção foi condenado em 1948 e ficou 50 anos na prisão, bom para ele, pois permanecendo livre, a população nunca o perdoaria e sua vida seria um inferno. Falando em população, esta é um exemplo para todo o mundo, Brasileiros tem educação gratuita a vida inteira, somos formadores de grandes artistas, escritores, cineastas, engenheiros, legisladores, médicos, cientistas, educadores, etc. Somos a população que mais lê livros em média no mundo.

A urbanização do território é feita com muita precisão visando o mais alto padrão de logística e bem estar para uma qualidade de vida sem igual. As grandes cidades são aglomerações quase integralmente comerciais, lotadas de trabalhadores que moram nos subúrbios e vão ao trabalho de carros movidos a energia solar, não são tão rápidos, porém isso é compensado pela excelente malha viária espalhada por todo país, avenidas e ruas largas facilitam a locomoção e a educação dos condutores faz com que um simples trajeto de carro se torne bastante agradável, dificilmente você ouvirá uma buzina. Com a ocupação residencial de subúrbio, não haverá de maneira alguma algo perto de uma favela, o mais próximo disso são os bairros financiados pelo governo para as classes economicamentes inferiores, que mesmo sendo mais simples do que o normal, segue a risca os altos padrões de qualidade para uma vida plena e saudável.

Nossas praias, de Norte a Sul, e nossas florestas, Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal, etc, geram bilhões de reais por ano em função do forte turismo, lembrando que o Real é a moeda mais forte do planeta. O estado do Rio de Janeiro abriga as praias mais badaladas no ponto de vista internacional, tendo lugares semelhantes ao Principado de Mônaco, é o caso de Cabo Frio e Angra dos Reis. A praias da Bahia e as praias do Sul são lugares muito procurados por jovens, principalmente universitários. Acima da Bahia, restante do Nordeste, o litoral recebe a visita de milhões de pessoas ao ano, sim, o sonho de uma chinesinha pobre de 10 anos é conhecer Jericoacoara e milhares de jovens europeus juntam todas suas economias para fazer o triângulo dos ventos, uma expressão utilizada para definir a viagem por três badaladas cidades Brasileiras, são elas Fortaleza, Natal e Recife.

Os recursos da Amazônia são explorados com bastante cautela, sempre preservando a rica fauna e flora do lugar, o mercado farmacêutico Brasileiro é responsável por 80% dos medicamentos produzidos na história, grande parte da matéria prima é extraida nas florestas por grandes cientistas e industrializada no grande polo farmacêutico de Goiás, estado referência na produção de remédios. Essa indústria é fortalecida por um ótimo sistema de saúde, tudo patrocinado pelo governo, neste ramo, o Sul se destaca, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul são os estados mais procurados do mundo para tratamento médico.

São Paulo e Minas Gerais puxam as grandes indústrias, as maiores empresas se concentram nestes dois estados, que absorvem grande parte da produção agrícola e agropecuária vinda do centro-oeste e a transforma em produtos para comercialização. A indústria tecnológica comanda grande parte dos lucros, sempre inovando e surpreendendo o mundo. Tudo isso é voltado para o mercado interno e externo, no segundo caso, grande parte dos produtos saem de Santos até o Porto do Pecém no Ceará ou o Porto do Pará, pontos estratégicos de escoamento de produção para a Europa e a América do Norte. Além disso o Brasil possui bases portuárias na África do Sul e na Índia, o que facilita a distribuição para a Ásia por meio do oceano Índico.

Nossos vizinhos sul-americanos vivem bem e são altamente dependentes de nossa economia, algo parecido com o que acontece entre EUA e Canadá. Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e outros, possuem grande parte de seus PIBs controlados por nossas grandes empresas.

Enfim, imaginem tamanha hegemonia. Parece até fácil pensar, mas é claro que não devemos esquecer que há uma série de circunstâncias durante a história que dificultariam isto. Mas não custa nada imaginar um pouco. Se eu fosse escrever todo o contexto global num cenário de Brasil potência, daria para escrever um livro (huum, boa idéia, quem sabe no futuro). Há tanta coisa interligada que não daria para discorrer aqui, por exemplo, e o resto do mundo? E as energias? E o contexto diplomático? E os conflitos? A complexidade do mundo é desafiadora, e ao mesmo tempo inspiradora. Por isso não podemos ter um homem no comando, e sim vários, em busca de um acordo, em busca de paz e prosperidade mundial. É uma pena nosso país estar tão longe do que eu escrevi acima, mas se queremos chegar pelo menos a 20% disso, devemos segurar as rédeas e saber que temos o poder. O Brasil é nosso, o Mundo é nosso, as atitudes são nossas.

Para encerrar, vou deixar este vídeo, o qual achei muito interessante, em que um veterano da Guerra do Iraque discursa falando sobre o que sentiu ao defender seu país (EUA) naquela desnecessária carnificina. Hoje é 4 de Julho, Dia da Independência deles, tantos anos de Independência e nunca livres de si mesmos. Mesmo assim Parabéns.

Abraço a todos!