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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Coletivismo não é fraternidade e Individualismo não é egoísmo

Resultado de imagem para coletivismoUma das grandes dificuldades no processo de difusão do pensamento liberal é a desmistificação de alguns termos que até então parecem favorecer os socialistas. Dois desses termos, muito citados na literatura liberal, é o "individualismo" e o "coletivismo". O primeiro nós ouvimos desde que somos crianças: "Não podemos ser individualistas, temos que dividir.", o mundo nos diz. E com toda razão, a solidariedade e a partilha são parte de nossa cultura e considero algo benéfico.

Acontece que, quando falamos de Ciência Política, o "individualismo" não significa esta noção de egoísmo e mesquinharia, e sim a liberdade de determinada pessoa agir da maneira que quiser, contanto que não fira as leis que regem a sociedade (e sim, as leis são necessárias). No modelo "individualista", o Estado é formado em torno da proteção do indivíduo, e não de grupos, isto garante que a autonomia de cada pessoa seja respeitada, protegendo, em especial, as minorias, aquelas que a esquerda costuma defender sempre mas não admite que são as mais perseguidas quando seus regimes socialistas se encaminham para realidades autoritárias.

O segundo termo, "coletivismo", soa como algo benevolente, ligado à fraternidade entre os homens: "Pensemos no coletivo!", dizem. E não há nada demais nisso, contanto que se atue coletivamente de forma voluntária, e não se utilize a força coercitiva do Estado para criar estruturas de proteção a determinados grupos (o que acontece muito no Brasil). Um modelo de Estado coletivista não pode conviver com um modelo individualista, quanto mais coletivista um Estado, mais ele compromete a autonomia individual e força as pessoas a se sujeitarem a um suposto "bem comum", e foi exatamente isto que aconteceu com as ideologias colocadas em prática ao longo do século XX. No começo, parecia uma salvação coletiva rumo a um paraíso, depois, logo se transformou em um inferno administrado por uma elite despótica.

Há de se destacar que uma pessoa que defende um regime político "individualista" não necessariamente é alguém que pensa apenas em si mesma, pelo contrário, talvez esta pessoa esteja bem inserida socialmente e coletivamente, mas por uma convicção ética prefere um modelo que proteja as "minorias" e até ela mesma (caso um dia ela se torna alguém "diferente" do todo"). Assim como uma pessoa "coletivista" talvez não seja tão fraternal assim. Muitos coletivistas - e aqui destaco os socialistas - são daqueles que endossam uma ideologia política que poderia salvar a humanidade mas não têm a coragem de mover uma palha para ajudar alguém mais próximo, como um familiar que está logo ali ao lado. Em outras palavras, são aquelas pessoas que "amam" a humanidade mas odeiam o ser-humano.

Estados individualistas formam estruturas sociais voluntaristas, enquanto Estados coletivistas formam estruturas sociais coercitivas. Há uma grande tendência a nos deixarmos levar por promessas de regimes coletivistas, pois costumam prometer "fins" compensadores, entretanto devemos haver cuidado com essas promessas, afinal um grande Estado capaz de "fazer o bem" é um grande Estado capaz de fazer o mal. Portanto, por via das dúvidas, talvez seja melhor manter este Estado contido, evitando assim processos de tiranização. Isto é Ciência Política clássica, coisas que fundaram nossa civilização, mas parece que há a necessidade de sempre relembrarmos, principalmente em um país em que seus cidadãos cedem tanto poder aos governantes, abrindo mão da própria liberdade em troca de promessas de direitos e segurança econômica.

sábado, 25 de agosto de 2018

Você não tem controle sobre a vida de outras pessoas

Há um certo vício humano que já há algum tempo tem chamado minha atenção devido ao nível de conflitos e sofrimento que tende a gerar em relacionamentos das mais variadas natureza. Pais e filhos, esposos e esposas, amigos, empregados e empregadores etc. O vício consiste em acreditar que se tem controle sobre a vida do outro, uma sensação de exacerbada responsabilidade frente às questões do próximo, que muitas vezes pode ser movida por bons sentimentos de carinho e proteção, mas que tende a cair, fatalmente, num cenário obsessivo de incondicional tutela, muitas vezes chegando a níveis de um truculento autoritarismo (mais comum em relação de pais e filhos).

Logicamente, se remetermos a questão aos pecados capitais, teremos como "pecado-mãe" desta prática o orgulho, que se manifesta solapando os bons sentimentos de saudável proteção e incitando o indivíduo a impor sua crenças ao outro, cerceando a liberdade deste e tendo a falsa sensação de que está "tudo sob controle", ou melhor dizendo: "está tudo sob o meu controle". Tal condição mental conduz o "controlador" a níveis cada vez mais intensos de tutela, fazendo-o acreditar até que a sobrevivência do "controlado" depende dele, o que o faz assumir um comportamento cada vez mais autoritário, transformando uma relação que deveria ser de amor e carinho em uma prisão de tensão e frustração de ambos os lados.

Quando a proteção do próximo cruza os limites do bom senso, tanto o controlado como o controlador passam a sofrer, o primeiro porque sente que perde sua liberdade e passa a ser uma espécie de servo psicológico do outro, enquanto o segundo vai aos poucos deixando de viver a própria vida e passando a ter em mente apenas seu tutelado, e com um agravante, dificilmente este tutelado consegue cumprir todas as exigências de seu tutor, ou seja, no final está todo mundo desiludido, desgastado e muitas vezes deprimido.

Se você insiste em controlar a vida de outras pessoas, pare, você está gerando sofrimento tanto para elas quanto para você. É justo você se preocupar com alguém que ama, mas esta preocupação deve ser exercida de maneira moderada, sem restringir a liberdade do outro (a não ser que seja um incapaz). As pessoas devem ser livres para errar, para sofrer, para cair, para "passar vergonha" e para amadurecer por conta própria, ficar tutelando todos os aspectos do desenvolvimento do outro, além de prejudicá-lo, também vai acabar com você. Deixe-o errar, deixe-o viver.

De forma semelhante, aqueles que são plenamente capazes e mesmo assim forçam uma dependência a outras pessoas, por mera comodidade, também devem tomar uma atitude e parar de sobrecarregar seus próximos. Este é o grupo das pessoas que estão sempre necessitando da atenção do outro, seja de forma emocional ou até monetária. Se você acha que está neste grupo, entenda que ficar esperando o amparo dos outros é uma péssima ideia, você estará deixando de desenvolver sua autonomia e estará sempre criando expectativas nos outros.

Não quero propor aqui algum tipo de utopia onde todos são livres, autônomos e independentes. Reconheço que durante a vida vamos criando laços e vínculos que oscilam de intensidade dependendo das cicunstâncias. Mas busco chamar a atenção para a necessidade de se ajustar melhor a estas circunstâncias. Talvez aquela pessoa que você acha que depende de você já está pronta para ter mais liberdade, então é hora de dar um passo para trás. Talvez o controle que você exerce na vida do outro pode ter sido importante em algum momento, mas agora pode estar fazendo mal para ambos. Da mesma forma que um gestor realoca seus recursos de acordo com as oscilações de mercado, nós precisamos adaptar nossas formas de agir de acordo com o que está acontecendo, tendo consciência de que a realidade está sempre nos convidando à mudança.

Acima de tudo, "deixar viver" é uma questão de humildade, de entender que não estamos no controle, de que somos muito menos capazes do que eventualmente pensamos que somos, de que os outros precisam de liberdade e que mesmo que errem, não somos nós os responsáveis por impedir que errem. Tal lógica pode ser aplicada tanto à psicologia, como também às ciências sociais e à teoria geral do Estado (campos de estudo que tenho mais familiaridade). Moderar suas ações sobre a vida de outras pessoas não é uma tarefa fácil, exige certa sensibilidade e muito cuidado para não cair nos extremismos, mas à medida em que aprendemos a nos comportar melhor, vamos notando como nossos relacionamentos também melhoram, fazendo com que todos ganhem um pouco.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O socialismo não leva ao socialismo

Seria interessante se o socialismo realmente nos levasse ao socialismo, não que em algum momento o socialismo chegasse a ser um sistema moralmente aceitável, mas se pelo menos funcionasse e nos levasse a uma condição de sobrevivência tolerável, poderíamos até reconhecê-lo como algo "discutível". Porém a realidade é muito, muito longe da teoria. O socialismo não nos leva ao socialismo, ele nos leva à escravidão.

Imagine um senador do PSOL defendendo esta ideologia e dizendo que com ela teremos mais liberdade, ele pode ter as melhores intenções, mas desconhece o que está realmente defendendo. Quando jovens inexperientes caem neste erro podemos até tolerar, mas adultos experientes defendendo tal ideia somente nos leva a duas possibilidades: (I) o sujeito tem alguma deficiência cognitiva ou (II) trata-se mesmo de um mau-caráter querendo subir ao poder.

Está mais que provado, tanto pela teoria praxeológica austríaca, quanto pelas experiências históricas reais, que a tomada dos meios de produção e a coletivização da propriedade pelo estado nos leva, inevitavelmente, ao colapso econômico, à destruição de riquezas, à pobreza e, consequentemente, ao despotismo, pois apenas uma tirania violenta conseguiria se manter no poder frente à dizimação humana que estaria em curso.

Em outras palavras, podemos apenas relacionar "socialismo" a "liberdade" se deturparmos completamente o sentido de "liberdade", de forma tal que um presidiário pudesse ser considerado um homem livre, simplesmente porque ele tem um teto, alimentação e pequenos momentos de lazer. Ora, não seria isso a situação do regime cubano em suas devidas proporções? Será que isso é liberdade para os socialistas? Simplesmente sobreviver? Não entrarei no mérito se os cubanos são felizes ou não, eles podem até ser, assim como um escravo pode ser feliz ao ser bem tratado por seu senhor. Mas isto definitivamente não é liberdade.

Eu sou mais feliz sendo livre, pois gosto de tentar coisas novas, empreender, ter meus projetos individuais, lidar com o desconhecido, mas este sou eu, e sei que nem todos aspiram os mesmos valores. Você não precisa ser livre para ser feliz, até porque quanto mais liberdade se tem, mais responsabilidade também é colocada sobre seus ombros. O socialismo é uma revolta contra a responsabilidade, é uma luta pela libertação da realidade, é uma fuga e, sendo um pouco mais duro, uma forma de suicídio.

Aquele socialista cheio de energia humana e que vive falando de amor, está, na realidade, morto, ele está se desligando das coisas como elas são, ele não quer alterá-las de forma engenhosa e racional como os empreendedores, ele quer a destruição imediata de tudo e um redirecionamento cósmico para sua utopia. Ele busca liberdade e, sem perceber, conduz a sociedade à escravidão, ao declínio e até a sua destruição.

E o que esperar de um país onde as aspirações políticas estão canalizadas para um objetivo intangível? Simplesmente a ascensão da demagogia mais vulgar, da hipocrisia, da mentira e do solapamento dos valores morais mais fundamentais. Quanto mais forte é o ideal socialista em uma sociedade, mais caótica ela será, e quanto mais tempo ela for liderada por tais ideias, mais difícil será reverter o processo. A vigilância sobre o avanço desta ideologia deve ser constante, implacável e incansável, pois nós ainda temos um pouco de liberdade, mas seria lamentável se nossos descendentes fossem coagidos a acreditar que "não há nada mais livre que a escravidão".

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Como ser voluntário em um Camphill - Parte III

Uma das casas de Corbenic.
Agora que já vimos a primeira e a segunda parte, chegamos ao website da comunidade camphill escolhida, enfim você iniciará o seu contato com o exterior. Não tem nenhum segredo, após explorar o website e saber tudo sobre a comunidade escolhida, leia a parte sobre “Voluntariado” que geralmente eles disponibilizam para você ficar ainda mais informado(a) sobre o funcionamento de coisas importantes que deve saber. Procure a forma de contato que a comunidade disponibiliza, geralmente por e-mail. Algumas comunidade da Irlanda selecionam seus voluntários diretamente pelo o website, neste caso siga as instruções que eles oferecem e faça o que for necessário.

Após descobrir o e-mail da comunidade, basta escrever para eles tudo que você quer saber, “tem vagas para novos voluntários?”, “quando eu posso aplicar?”, “quais as exigências?”, jogue suas perguntas, muitas deles eu mesmo posso responder, mas para primeiro contato essas perguntas básicas caem bem, faça uma curta apresentação sua é claro, nome, nacionalidade, ocupação, expectativas etc. Após ter enviado o primeiro e-mail, aguarde a resposta e a partir daí cada Camphill tem seu processo, siga as instruções e as exigências de cada um e tudo deverá correr bem.

Quanto ao processo de seleção basicamente será o seguinte, dependendo de comunidade para comunidade, em Corbenic pelo menos é assim:

1. Um formulário será enviado para que você o preencha com todas as suas informações.

2. Seu formulário será analisado no escritório juntamente com o(a) coordenador(a) da comunidade.

3. Se eles acharem o seu perfil interessante para a comunidade lhe escreverão logo em seguida.

4. Será marcada uma entrevista via Skype para que eles confirmem se você pode pelo menos se comunicar em inglês. Sem desespero, é só uma entrevistazinha com umas 3 perguntinhas tranquilas. Eles fazem isso só para evitar que pessoas que não saibam dizer um “a” de inglês tentem se candidatar. É uma peneirinha, ninguém tá esperando um inglês de nativo, eles sabem que você é estrangeiro(a) e estão acostumados a lidar com inglês de gente da Ásia e do leste Europeu, ou seja, se você pelo menos assistir filme em inglês eu creio que já se saia melhor que os candidatos vindos dessas partes do mundo.

5. Após você ser aprovado na entrevista, serão solicitadas duas referências de pessoas que você conhece que tenham trabalhado com você, pode ser um professor, um chefe, um colega de trabalho, tem gente que até arrisca alguém da família, mas não é o recomendado, procure alguém mais imparcial. As referências devem ser, é claro, em inglês, se a pessoa não souber você deverá traduzir, mandar e torcer para que o Camphill não invente de contactar essas pessoas que não saberão responder o e-mail (até o telefone deles deve estar na referência, mas muito dificilmente eles ligarão).

6. As referências deverão ser enviadas por e-mail ou correio, agora não me recordo.

7. Também será exigido um documento de antecedentes criminais, emita-o na delegacia mais próximo e leve a um tradutor juramentado, creio que este documento só precisará ser escaneado e enviado.

8. Alguns Camphills também exigem algum exame médico em relação a sua saúde, este não é o caso de Corbenic.

9. Basicamente é só isso, se tudo correr bem a sua vinda será confirmada por eles.

Depois de toda essa papelada interna do Camphill a sua ida será finalmente confirmada quando eles emitirem uma carta de visto, essa carta é o papel mais precioso de todo o processo (no caso do Reino Unido) pois ela é basicamente um comunicado do Camphill ao governo do Reino Unido dizendo que eles querem trazer você para ser voluntário, oferecerão tudo para sua manutenção no país e CONFIAM plenamente na sua palavra para que este documento seja corretamente utilizado na emissão de um visto britânico. Ao receber esta carta você pode se considerar 90% dentro do programa, mas não relaxe, ainda falta o visto, a parte mais chata e trabalhosa.

Resumindo o post bem grosseiramente: “CONTACTE O CAMPHILL, DIGA QUE VOCÊ QUER SER VOLUNTÁRIO E DESEJA SABER COMO DEVE PROCEDER”. Deste ponto para frente eles te guiarão, haverá uma pessoa trabalhando exclusivamente para isso e você pode tirar todas as suas dúvidas com ela. Não se preocupe quanto ao seu inglês se não for dos melhores, basta se comunicar de qualquer forma. Próximo post trataremos sobre a emissão do visto britânico, não lembro de tudo com exatidão mas farei o possível para fornecer o máximo de informações que posso. Qualquer dúvida você também pode me escrever via Facebook. Até mais!

Um exemplo de quarto individual.

Trabalhos na Fazenda.

Natureza exuberante ao redor.

Garden Workshop.

Um dia de trabalho na Padaria.

domingo, 25 de agosto de 2013

Como ser voluntário em um Camphill - Parte II

Primeiramente gostaria de me desculpar por ter levado tanto tempo para continuar a primeira parte deste post, está difícil encontrar tempo e me concentrar para descrever em detalhes tudo que quero. Pois bem, em Junho fiz uma muito breve introdução sobre o que é Camphill e principalmente qual o perfil da pessoa que poderia se voluntariar sem arrependimentos, se você acha que não se encaixa naquelas características talvez este trabalho não seja a melhor escolha.

Portanto vamos supor que suas características se encaixem no perfil e você queira topar um ano ou mais de trabalho voluntário em uma comunidade Camphill no exterior. Então o que fazer para começar? Bem, como sabemos o movimento camphill está em diversos países, com destaque para Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte), Irlanda, EUA, Canadá, Alemanha, África do Sul e vários europeus que são mais difíceis para acessar devido às línguas faladas em cada um.

Desta forma é claro que para começar sua pesquisa você deve escolher o país que quer ir, essa é a primeira das decisões que deve fazer. E não se preocupe em ser recusado(a), todas as comunidades precisam de voluntários, principalmente agora que os jovens (homens) da Alemanha não são mais obrigados a escolher entre fazer trabalho social ou ir para o exército após a escola, no momento existe uma procura maior por voluntários, porém isto está sendo sanado porque os asiáticos estão já há alguns anos invadindo a Europa.

Bom, se você quiser ir para o Reino Unido eu posso afirmar que este é o melhor lugar, principalmente na Escócia, pois o movimento Camphill tem sua origem lá, ou seja, já existe uma grande estrutura e maior profissionalismo de todas as pessoas envolvidas, além de um grande reconhecimento social. Diferente se você for para a África do Sul, por exemplo, lugar onde sua aventura será provavelmente mais extrema. EUA e Canadá também são bons, mas creio que eles não tenham tanta força e profissionalismo como na Europa, o Camphill não é muito popular nesses dois países. Alemanha também creio que seja bom, mas você precisaria saber se comunicar em Alemão.

Eu, particulamente, escolhi a Escócia porque é um país que sempre tive vontade de conhecer, além de ser a base do Camphill, algumas comunidades Camphill na Escócia chegam a ser quase como uma cidadezinha, como o Camphill School de Aberdeen (cidade do norte da Escócia), vários brasileiros vão pra lá, a estrutura é fantástica, mas creio eu que o trabalho é bem puxado, principalmente por ser com crianças. Eu com certeza recomendaria este país pois a experiência que tive foi realmente fantástica.

Após ter escolhido o país você precisará escolher entre quatro tipos de pessoas que gostaria de ajudar, crianças, jovens, adultos ou idosos (todos eles com certo grau de incapacidade física e mental). Os primeiros dois grupos são os que exigem mais energia e atenção, mas em compensação são os que oferecem mais momentos felizes e divertidos também, conheço algumas pessoas que tiveram grandes experiências com crianças e jovens (eles ficam em comunidades separadas geralmente). O terceiro grupo, adultos, são os que tive a oportunidade de trabalhar, é claro que o fato deles serem adultos não remete muito à maturidade mental, e sim à idade física, cuidar da maioria deles é como cuidar de crianças, porém você deve saber que eles são oficialmente adultos e deve encorajá-los a viverem como adultos. O quarto e último grupo, idosos, eu não recomendaria, a não ser que você goste mesmo e tenha algum treinamento de cuidador ou enfermeiro, pois eles exigem muito mais cuidado, inclusive creio que a idade mínima para se voluntariar seja de 21, pois também exige mais maturidade. Aqui neste link das palavras em destaque você pode acessar sites de comunidades para esses 4 tipos diferentes de pessoas só para ter noção do que se trata: crianças, jovens, adultos, idosos.

Estamos chegando lá, já escolhemos país e grupo de pessoas que queremos ajudar, agora vamos para a parte mais divertida, escolher uma das diversas e adoráveis comunidades Camphill espalhadas por nosso país de escolha. Para fazer isso você deve pesquisar no google a página do Camphill do seu país, por exemplo, “Camphill Ireland”, “Camphill USA”, e assim por diante, nesta página será fornecida uma série de links para o website de Camphills específicos. Para que nos sirva de exemplo, utilizarei a página do “Camphill Scotland”, pois é a mais bem estruturada e fácil de achar informações. Acessando esta página você tem praticamente tudo que precisa saber sobre o Camphill na Escócia (em inglês), aproveite este website, explore e quanto mais você ler mais vai enteder sobre Camphills, qualquer dúvida por gentileza me escreva pelo espaço de comentários logo abaixo.

Na página do “Camphill Scotland” acesse, lá em cima, a página “Scottish Communities” e você será direcionado(a) a uma página com o mapa da Escócia acompanhado da lista das 13 comunidades existentes, à direita de sua tela. A comunidade que estive está logo ali em “Place for Adults”, a querida Corbenic. Esta página é ótima pois mostra exatamente a localização das comunidades no mapa por todo o país. Bom, não tem segredo, basta você escolher uma das comunidades, acessar a sua página e então já poderá se candidatar ao voluntariado, sugiro que quem tem interesse abra as páginas particulares de algumas dessas comunidades e procure a que mais se identifica (explore os sites e talvez você pode até entender todo o processo sem a mínima ajuda). No próximo post continuarei com o início do processo para se candidatar a uma vaga.

Bom para resumir este post, na verdade nós só falamos sobre:

- Escolher um país de destino.

- Escolher o grupo de pessoas que pretende ajudar/trabalhar.

- Acessar a página nacional do movimento Camphill de cada país.

Por favor não exitem em me escrever em caso de qualquer dúvida, sua dúvida pode ser a dúvida de outra pessoa. Nos próximos posts ainda falarei sobre application, visto, o que preparar e mais vários pontos importantes. Até breve!


Corbenic Camphill Community

Um dia ao ar livre com os residentes

Edimburgo

Celebrações Nacionais na Comunidade

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Como ser voluntário em um Camphill - Parte I

Primeiros meses na cozinha.
Depois de praticamente 1 ano após ter voltado de Corbenic, só agora resolvi escrever isso para as pessoas que se interessam em fazer um trabalho voluntário diferente no exterior. Dessa forma ficará mais fácil de explicar a quem vem me perguntar sobre como fazer e tudo que envolve a vida lá. Primeiramente é bom que a pessoa pesquise por ela mesma o que é uma Comunidade Camphill, pois seria demasiadamente longo para escrever aqui. Mas para sintetizar em poucas palavras Camphill é: “Uma comunidade desenvolvida especialmente para pessoas com necessidades especiais onde trabalham profissionais treinados para lidar com elas e voluntários de toda parte do mundo em busca desse tipo de experiência, a rotatividade de voluntários é grande, por isso é sempre necessário pessoas novas”. Além disso para entender mais sobre o Camphill a pessoa deve pesquisar um pouco sobre Antroposofia e Rudolf Steiner, onde está toda a sustentação filosófica desse estilo de vida.

Mas qual seria o perfil da pessoa que poderia se voluntariar a trabalhar por 1 ano ou mais em uma comunidade Camphill? Pois bem, eis aqui algumas características:

- Ser jovem entre 18 e 25 anos, mas isso não impede uma pessoa mais velha a se voluntariar, mas digamos que a energia dos jovens seja mais interessante para a comunidade. Porém eu trabalhei com uma senhora de mais de 60 anos, ela perdeu o marido e resolveu ser voluntária na minha comunidade por dois anos, pode acontecer. O Camphill também é um espaço para as pessoas desenvolverem o lado espiritual, superarem problemas e traçarem um novo caminho na vida, é um lugar de regeneração.

- Estar disposto a ajudar. A pessoa deverá entender que estará indo principalmente por “caridade”. Esse é um grande problema para alguns brasileiros que aproveitam a chance de um intercâmbio barato pra dar uma de riquinho no Reino Unido. Isso não quer dizer que você não vai poder fazer compras, ir pra balada, viajar muito e curtir a vida, você terá tempo pra isso, mas sua prioridade NUNCA poderá ser essa. Cuidar de pessoas especiais exige comprometimento, maturidade e responsabilidade, e é este crescimento o maior atrativo desta experiência no exterior.

- Ter um estilo de vida saudável e ser flexível, no Camphill você viverá num ambiente muito saudável, onde a qualidade de vida, a boa alimentação, a disciplina de horários, a espiritualidade, a leitura e as atividades coletivas tem um valor imensurável. Isso não quer dizer que você não possa beber e fumar, é claro que pode, mas sempre com muito respeito ao ambiente em que você está trabalhando, principalmente quando se tratando de crianças.

- Conseguir se comunicar em Inglês, você não precisa ser fluente, mas é necessário que você já chegue no Reino Unido com uma capacidade de se comunicar em Inglês, portanto cursos de conversação são os preferidos. Durante o seu ano você desenvolverá a língua até atingir uma fluência, mas lembre-se que o ambiente é repleto de estrangeiros, portanto selecione as pessoas que você vai tentar imitar para aprender o idioma e sempre tente ler e se fiscalizar, pois muita gente ao seu redor pode estar falando errado. Mas de qualquer jeito você vai aprender a se comunicar com o mundo inteiro.

- Buscar uma experiência alternativa e barata no exterior, participar de uma comunidade Camphill é um intercâmbio fora do comum, nela você não será empregado ou estará trabalhando por um salário (apesar de ganhar sim uma ajuda de custo), você estará ali vivendo em respeito e solidariedade mútua com todos os envolvidos. Trocando experiências, aprendendo, ensinando, compartilhando, trabalhando pelo bem-estar da comunidade etc. É um ambiente rico de emoções, vida, trabalho, natureza, a verdadeira utopia antroposófica de Rudolf Steiner. E o intercâmbio é o mais barato que já ouvi falar, você só paga seu visto e sua passagem de ida. Você terá um quarto, individual ou compartilhado com outra pessoa, alimentação de primeira qualidade, seguro saúde, uma ajuda de custo entre 140 e 200 libras por mês e uma boa parte de sua passagem de volta se você trabalhar lá por 1 ano.

- Querer aprender e viver muitas experiências, isso não precisa nem falar, depois de um ano trabalhando em um Camphill você vai ter aprendido muita coisa pratica e teórica, dependendo das funções que forem designadas pra você. Eu mesmo sai de lá fazendeiro, padeiro, pizzaiolo, empregada doméstica, gari, pedreiro, babá, paisagista, jardineiro e muito mais, além é claro dos cursos teóricos para cuidar de pessoas especiais que tive ao longo do ano. Devido à nossa cultura de Brasil isso pode soar mal, mas em uma comunidade Camphill você verá o quanto cada trabalhinho desse é digno e respeitado, pois a cultura fraternal lá é totalmente diferente e as pessoas de posições mais altas estão envolvidas em tarefas que no Brasil seriam consideradas “coisa de gente pobre”. Cansei de ver gente acabando de limpar os banheiros e correndo pra vestir um terno ou um vestido bonito para liderar uma apresentação de música clássica, isso acontece numa comunidade igualitária e é esse um dos muito fatores que fará você mudar sua visão de mundo após uma experiência camphill.

Eu pretendia escrever tudo que queria em um post mas percebi que isso não será possível, portanto continuarei outro dia com a próxima parte de como ser voluntário num Camphill. Se você acha que se encaixa nesse perfil fique acompanhando o blog e em breve escreverei mais diretrizes que você deverá tomar para realizar essa experiência. Lembre-se que ter uma experiência no exterior não é tão difícil quanto se parece ao ver os preços das agências de intercâmbio. Se estiver curioso(a) e quiser ter mais informações por você mesmo(a) eu sugiro que acesse o site do Camphill Scotland e lá você já vai achar muitas informações que tentarei explicar em breve. Até mais ver!


Constante contato com todos os animais da Fazenda.

Atividades com outros voluntários.

Despedindo-me da Fazenda para trabalhar em outro Workshop.

Marcenaria, não cheguei a trabalhar lá, um dos Workshops mais disputados.

Laguinho em uma das áreas externas da comunidade.

Reaproveitamento da madeira de árvores derrubadas pela tempestade.

Um pouco do meu quarto duplo que dividia com a namorada.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Criatividade e solidariedade


Solidariedade, solidariedade. Quantas vezes você já ouviu essa palavra? Creio que muitas. No contexto social ao qual estamos inseridos é bastante comum ver pessoas empenhadas em ajudar o próximo, seja com um simples gesto ou uma grande campanha. Porém, mesmo com um extenso número de participantes nesta empreitada, a necessidade dos beneficiados se mostra sempre maior, alcançando niveis alarmantes, reflexo de uma política sonolenta e irresponsável por parte de nossas eleitas autoridades.

Mas como deixar o conforto de casa ou a segurança do trabalho e como fazer a real diferença que sempre prometemos fazer mas nunca sobra tempo? Bom, para o Professor de Legislação de Trânsito, Jairton Cabral, isso não é problema. Educando novos condutores diariamente há 18 anos, este carismático profissional planejou uma inteligente maneira de arrecadar alimentos junto aos seus alunos. Jairton conta que durante a última aula de cada turma formada, era de costume fazer uma celebração para a sequencia do processo de habilitação dos novos condutores, e influenciado pelos trabalhos de ONGs e instituições de caridade, resolveu transformar a festinha de despedida em uma oportunidade para ajudar quem precisa. Com toda experiência ensinando diferentes personalidades, o professor percebeu que os alunos tinham certa dificuldade em decorar as multas, penalidades e medidas administrativas da legislação de trânsito.

Com isso, surgiu a idéia de juntar todo o conteúdo em uma única folha, por meio de resumos e pontos principais, um prato cheio para os futuros condutores que nem sempre possuem tempo para estudar a legislação em todos os seus detalhes. Jairton aproveitou o interesse dos alunos e resolveu trocar cada folha por um 1 kg de alimento, que posteriormente seriam enviados para famílias necessitadas de seu bairro em forma de cesta básica. A campanha foi um sucesso e há 1 ano o professor ajuda quem precisa por meio de uma ação simples que, segundo ele, tem grande aceitação por parte dos alunos, que ficam felizes em ajudar e aprendem não só as leis, mas como se tornar um cidadão melhor. "Cidadão é aquele que faz o que fala", disse Jairton. Na casa de Jairton os brinquedos das crianças dividem espaço com a grande quantidade de alimentos arrecadados.


O professor diz que para começarmos a ajudar, devemos olhar além de nosso mundo e entender a necessidade das pessoas ao redor. Jairton exalta não só o dever de ser solidário, mas como o prazer de estar ajudando quem precisa e como sua vida mudou após olhar além de seu mundo, conta que ao passar do tempo, percebeu que sua maior alegria era oferecer presentes à quem nunca ganhou, ao invés de receber, como muitos estão acostumados em nossa sociedade.

Bom amigos leitores, creio que oportunidades nunca faltarão, resta a vontade de cada um de nós, tomar as rédeas e compreender o que realmente devemos fazer em prol de um bairro melhor, uma cidade melhor, um país melhor.