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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

O ser-humano é imperfeito e vacilante, e isto deveria nos dizer muita coisa


Durante a maior parte da história de nossa civilização, as pessoas tinham plena consciência de que o ser-humano era uma criatura limitada. A doutrina do pecado original, tanto familiar aos cristãos, formava a base imaginária que sustentava uma posição de humildade e de uma visão de piedade sobre o mundo. Somos pecadores, somos miseráveis, somos imperfeitos e, portanto, devemos agir com calma e prudência. Por mais que houvesse barbaridades, elas eram julgadas por esta visão, além de uma consciência da existência de um ser supremo que vigiava tudo que fazíamos.

Com o advento do mundo moderno e do cientificismo, esta estrutura imaginativa foi substituída por uma crença demasiada na razão metódica, que sugeria a elevação do homem ao patamar de super-poderoso, um ser que tudo poderia fazer e tudo poderia entender, abolindo de seu dicionário conceitos simples e tradicionais como "mistério". A idéia de "mistério" para o homem moderno é uma idéia de mediocridade, devendo ser superada para que a espécie humana busque compreender a estrutura do universo, revelando o que "instituições retrógradas" - como a Igreja - impediam de ser revelado. Lembro aqui que cientificismo não quer dizer propriamente ciência natural, aquela prática muito comum entre padres e os fundadores das universidades ocidentais. Cientificismo é tomado aqui como uma espécie de ideologia, um embotamento mental resultado da elevação da ciência a uma condição de fonte monopolista de toda verdade e conhecimento (o que explica o enfraquecimento da filosofia clássica nos últimos trezentos anos).

Esta quebra de mentalidade se alastrou pela civilização, deixamos Deus de lado, negamos as limitações do homem e o colocamos como o grande redentor da espécie. Transformar este planeta em um paraíso não seria tão difícil assim com grandes mentes no comando. Tal crença, aliada à consagração do materialismo tanto por marxistas quanto por alguns burgueses, conduziu-nos a ideologias políticas que resultariam em graves instabilidades, tendo como pontos máximos as duas grandes guerras mundiais do século XX, além da revolução bolchevique de 1918. Para o historiador Arnold Toynbee (1889-1975), esta foi a era da desordem. Nunca antes na história humana a vida foi tratada de forma tão insignificante, vista como um empecilho para a construção de mundos "perfeitos" que desconsideravam presunçosamente todas as grandes lições da história, assim como a compreensão da natureza humana, entendida com muito gênio e sacrifício ao longo de vários séculos. Milhões de vidas foram ceifadas na Europa, em especial na Alemanha e na Rússia, e mais tarde também na Ásia, tendo como protagonista a China de Mao Tsé-Tung (1983-1976). 

Mesmo com toda esta barbárie do século XX, é comum ainda termos a idade média como a principal época da "escuridão" e do sofrimento humano, e esta visão parte muito mais por iniciativas propagandistas modernas do que pela realidade histórica registrada. É assustador como o terrores do comunismo, por exemplo, são tratados com tanta brandura por pessoas que se autoproclamam "humanistas", como se esta ideologia só precisasse de alguns reparos para que fosse colocada em funcionamento de forma mais satisfatória. A verdade é que, mesmo com todos os fatos históricos observados, ainda esperamos que o homem cure as chagas deste mundo e proporcione o "Céu na Terra". Tal pensamento não só nos reveste de utopia - o que na prática nos idiotiza - como gera um ambiente muito propício à ascensão de tiranos e demagogos que usarão tais equívocos filosóficos para conquistarem o poder. Quando o homem se torna um louco em seu interior, e esta loucura se torna o norte cognitivo das massas, é só questão de tempo para que loucos se tornem governantes.

Ainda hoje, mesmo com a queda de várias destas ideologias, líderes cheios de planos mirabolantes para salvar o mundo ainda são escutados, respeitados e até eleitos para cargos de grandes responsabilidades. O que podemos esperar é que aqueles que ainda preservam a sanidade, possam perceber que contar com a salvação da humanidade pela própria humanidade é uma tremenda armadilha, e que o resultado tende a ser muito pior do que a mera manutenção da ordem, da justiça e da liberdade, no sentido clássico das palavras. Se aceitarmos a realidade e as limitações do homem, podemos lutar por um mundo razoavelmente bom, onde há um alto nível de tolerância e a justiça e a liberdade podem prevalecer, mas se cairmos em armadilhas ideológicas, podemos perder tudo isto de uma só vez. Nas palavras de Friedrich Hölderlin (1770-1843): "O que sempre fez do estado um verdadeiro inferno foram justamente as tentativas de torná-lo um paraíso". Tenhamos em mente, antes de qualquer coisa, que não somos Deuses, e temos muito o que aprender. Apenas isto já seria suficiente para acalmar os ânimos de um mundo em constante e exaustiva ebulição.

domingo, 26 de agosto de 2018

A ditadura da subversão e a intolerância dos tolerantes

Liberdade de expressão parece que é uma daquelas coisas que acabou se tornando uma espécie de dogma moderno. Quase não há quem diga que é contra a liberdade de expressão, e se há, estas pessoas tentam não se manifestar a respeito. Liberdade de pensar e dizer o que pensa é o que se vê entre as bandeiras de muita gente que têm certeza que são seres progressistas e muito mais "mente aberta" do que a média da população. Será?

Algo que tem se tornado cada vez mais perceptível é que boa parte destas pessoas que se dizem "liberais" e "mente aberta" têm uma extrema dificuldade em se portar frente a posições de opinião que divergem das delas. "Eu defendo que as pessoas sejam livres", dizem, mas basta o seu Joaquim Teixeira dizer que não gosta de algo que elas gostam e já ficam extremamente enfurecidas, como se uma simples opinião individual fosse um posicionamento autoritário e coercivo.

Grupos que se consideravam "marginalizados" pela sociedade, galgaram posições de poder e espaço pregando a tolerância frente às diferenças e convencendo uma sociedade conservadora a se abrir para o novo, aceitando aqueles que optavam por estilos de vida que iam de encontro com a cultura tradicional vigente. Eles chegaram lá, reinvidicaram suas liberdades, geraram a ruptura que tanto queriam e então todos poderiam ficar em paz, certo? Não foi bem assim.

Os grupos que antes se utilizaram do discurso da tolerância para serem "deixados em paz", o que é algo justo, não pararam aí. Continuaram atuando de forma a desarmar todo o arcabouço tradicional da sociedade que os ofereceu um espaço, comportando-se como verdadeiros agentes subversivos, querendo virar tudo de pernas para o ar, não só atuando de forma ativa para alterar todos os padrões consagrados pelo tempo e pela luta da sobrevivência, mas também censurando de todas as formas possíveis aqueles que se recusam a se adaptar a tal estilo de vida.

Em outras palavras, a sociedade tradicional se abriu para as virtudes do liberalismo moderno, mas os grupos que ascenderam ao poder solapando os valores tradicionais estão pouco se lixando para estas mesmas virtudes que permitiram sua própria ascensão. Não basta a eles terem a liberdade de falarem e serem o que são, é preciso substituir toda a ordem cultural vigente, fundando um total novo estilo de vida, que havia sido introduzido como "subversão", mas que busca se estabelecer como ordem hegemônica. Eis o porquê da fúria contra o cidadão comum que se posiciona contra as "novidades" que parecem ser impostas todos os dias por variadas máquinas de propaganda que se estabeleceram a partir do período pós-guerra.

Estes grupos subversivos que vêm conquistando cada vez mais espaços costumam ridicularizar as visões dogmáticas e todo o senso de orientação que havia conduzido o homem comum até aqui, o problema é que mal percebem que já há algum tempo eles estão se tornando fundadores de novos dogmas e referências existenciais, fundando, na prática, uma religião alternativa, que ganha corpo na fusão de inúmeras ideologias modernas, e à medida que assumem posições de poder, mostram-se até mais autoritários do que a ordem tradicional que buscaram suplantar apoiados no discurso da "liberdade".

Portanto, muito cuidado com aqueles que saem por aí brandando a "luta pela liberdade", a "tolerância" e o "amor", palavras que têm seus significados paulatinamente alterados de forma a servir melhor os desígnios ideológicos já traçados. Quando alguém diz que é "tolerante" e fica enfurecido com uma opinião muito diferente, pode ir desconfiando que as sementes do totalitarismo já germinam por ali.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O socialismo não leva ao socialismo

Seria interessante se o socialismo realmente nos levasse ao socialismo, não que em algum momento o socialismo chegasse a ser um sistema moralmente aceitável, mas se pelo menos funcionasse e nos levasse a uma condição de sobrevivência tolerável, poderíamos até reconhecê-lo como algo "discutível". Porém a realidade é muito, muito longe da teoria. O socialismo não nos leva ao socialismo, ele nos leva à escravidão.

Imagine um senador do PSOL defendendo esta ideologia e dizendo que com ela teremos mais liberdade, ele pode ter as melhores intenções, mas desconhece o que está realmente defendendo. Quando jovens inexperientes caem neste erro podemos até tolerar, mas adultos experientes defendendo tal ideia somente nos leva a duas possibilidades: (I) o sujeito tem alguma deficiência cognitiva ou (II) trata-se mesmo de um mau-caráter querendo subir ao poder.

Está mais que provado, tanto pela teoria praxeológica austríaca, quanto pelas experiências históricas reais, que a tomada dos meios de produção e a coletivização da propriedade pelo estado nos leva, inevitavelmente, ao colapso econômico, à destruição de riquezas, à pobreza e, consequentemente, ao despotismo, pois apenas uma tirania violenta conseguiria se manter no poder frente à dizimação humana que estaria em curso.

Em outras palavras, podemos apenas relacionar "socialismo" a "liberdade" se deturparmos completamente o sentido de "liberdade", de forma tal que um presidiário pudesse ser considerado um homem livre, simplesmente porque ele tem um teto, alimentação e pequenos momentos de lazer. Ora, não seria isso a situação do regime cubano em suas devidas proporções? Será que isso é liberdade para os socialistas? Simplesmente sobreviver? Não entrarei no mérito se os cubanos são felizes ou não, eles podem até ser, assim como um escravo pode ser feliz ao ser bem tratado por seu senhor. Mas isto definitivamente não é liberdade.

Eu sou mais feliz sendo livre, pois gosto de tentar coisas novas, empreender, ter meus projetos individuais, lidar com o desconhecido, mas este sou eu, e sei que nem todos aspiram os mesmos valores. Você não precisa ser livre para ser feliz, até porque quanto mais liberdade se tem, mais responsabilidade também é colocada sobre seus ombros. O socialismo é uma revolta contra a responsabilidade, é uma luta pela libertação da realidade, é uma fuga e, sendo um pouco mais duro, uma forma de suicídio.

Aquele socialista cheio de energia humana e que vive falando de amor, está, na realidade, morto, ele está se desligando das coisas como elas são, ele não quer alterá-las de forma engenhosa e racional como os empreendedores, ele quer a destruição imediata de tudo e um redirecionamento cósmico para sua utopia. Ele busca liberdade e, sem perceber, conduz a sociedade à escravidão, ao declínio e até a sua destruição.

E o que esperar de um país onde as aspirações políticas estão canalizadas para um objetivo intangível? Simplesmente a ascensão da demagogia mais vulgar, da hipocrisia, da mentira e do solapamento dos valores morais mais fundamentais. Quanto mais forte é o ideal socialista em uma sociedade, mais caótica ela será, e quanto mais tempo ela for liderada por tais ideias, mais difícil será reverter o processo. A vigilância sobre o avanço desta ideologia deve ser constante, implacável e incansável, pois nós ainda temos um pouco de liberdade, mas seria lamentável se nossos descendentes fossem coagidos a acreditar que "não há nada mais livre que a escravidão".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Global fraternity

How different is a Chinese compared to a Paraguayan? What about an English person compared to a Mexican? A Japanese compared to a Cuban? Since my early teen years I have been wondering how different people worldwide are. How do they think? How do they feel? Why people in Brazil say Europeans are cold? Europeans are not cold; they are just more private and deeper in their relationships. Brazilians are warm indeed, but in some cases they can be annoyingly warm, I would place myself between the two extremes, not so cold, not so warm, just between; imagine what you want out of it.

On my pursuit to answer those questions I left Brazil for the first time in 2011 for a volunteer year in Scotland together with people from different nationalities (Germans, Koreans, Hungarians, Scottish, Canadians etc), that was a great experience and I could for the first time live-in with non-Brazilian people. After a few months I came to the conclusion that, wow, we are all the same! Naturally we have our own individuality, no doubts about it, however we are fatally on the same human/spiritual race, we have the same emotions, we live similar dramas, we get happy for the same reasons and sad also for almost identical reasons, later on I could even more observe it as I gradually had other experiences in college with foreign students.

Indeed our cultural background makes us feel slightly far apart superficially, but in the end, once you have a chance to explore someone else from another country you will see how close we are to each other, how we are all humans even though we were born in a developed nation or not. When we are teens we try to adjust ourselves and have friends, when we are young we want different experiences, as more as we get mature we live the same adult issues and it goes on until the end. Thus we can also conclude that wars put in evidence how big our lack of communication and understanding is, and especially how vulnerable we are to insane ideologies, such as nationalism, socialism and also extreme worship of some religions that enchain so many nations in misery and suffering.

The nations of this planet might look on very different stages of development; a rich guy from New York might think he is light-years away from a poor farmer in the countryside of Bangladesh, but if we look upon an universal point of view, considering the Earth’s age and our short history we can quickly conclude that those two persons are actually very close and connected, and the grand grandfather of this rich guy was also a farmer trying to survive in the middle of nowhere. Overall we are all very connected and chasing the same purpose: happiness and well-being.

That’s why racism is something so stupid once you think about it rationally, it is even unnecessary to say that globalization will slowly defeats it until a point our culture and skin-color will be nothing more than a reason to celebrate the diversity and the richness of our planet’s beauty. When I think about racist people I realize how poor and fool they are for not enjoying the opportunities of living in harmony with people that could bring them a different point of view or any other thing to enrich their lives. I am not here trying to defend minorities; I am just standing for logical thinking.

I will probably not be here when this planet lives as one and without borders, it will still take some centuries to be accomplished, but for sure there will be a point when all of us will agree with each other and no more hate will lead us to violence, tyranny, persecution and consequently suffering. However I believe I will still be alive out of this body and have a chance to admire this age of peace and global fraternity.

In honor to the victims of the terrorist attack against liberty that took place yesterday in Paris.

(This text might contain a lot of English mistakes, grammar and some parts can look weird for a native speaker, writing in English makes me lose 80% of my vocabulary and sensibility to the words, however I'll only get better trying, thanks for the patience)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A odisseia americana


A história da colonização americana fascina até o mais adverso às leituras sobre o milênio passado, uma odisseia que desperta o interesse dos historiadores desde as primeiras aventuras marítimas da Europa até o atual cenário internacional entre as nações já concretas e independentes.
Tentando imaginar o que aqueles corajosos homens sentiram ao desembarcar em terras desconhecidas, mergulhamos em uma esfera contagiante de mistérios e expectativa, um novo mundo frente aos olhos, com recursos naturais em extrema abundância e uma extensão terrena de larga escala praticamente desabitada, pois embora houvesse a presença de nativos, nada era comparado a intensa ocupação do velho continente.
É prazeroso viajarmos no tempo e imaginarmos os cenários de disputas entre Ingleses, Franceses, Espanhóis, Portugueses, Holandeses, entre outros, lutando por cada centímetro de terra a fim de expandir seus territórios e se deleitar no grande divã da prosperidade e da glória.
Cada país americano traz uma história rica de conflitos, independência, desenvolvimento e industrialização. Estados Unidos, Brasil, Canadá, México e os demais. Refletimos a situação atual em contraste com a de 500 ou 600 anos atrás, quando tudo não passava de natureza e tribos indígenas. Ao analisarmos países de prosperidade tão ímpar como os EUA e lembrarmos que um dia tudo aquilo não passou de uma pequena colônia sendo habitada com lentidão, compreendemos a velocidade em que nós seres humanos podemos ocupar e desenvolver um espaço geográfico desconhecido.
A sensação de viajar pelo novo mundo é instigante, e esse sentimento se amplia quando conhecemos sua rica história. Abaixo deixarei um vídeo sobre a província canadense de Québec, cuja história fascina desde a chegado do primeiro francês, passando pelo domínio inglês, pelos conflitos entre anglófonos e francófonos até a situação atual de luta por independência frente ao restante do país.

domingo, 8 de agosto de 2010

As designações da sociedade


Era 1953 quando o estado-unidense Elvis Presley rompia as fronteiras de conduta da sociedade e levava ao palco sua voz ousada e sua dança extravagante, deixando as moderadas menininhas da época em êxtase com cada performance jamais vista na história da música. Era o começo de uma série de iniciações artísticas que agitariam a segunda metade do século XX.


Elvis introduzia sua música violentamente numa sociedade contida, onde o tempo parecia estar parado há décadas. Sua dança, considerada um ultraje para alguns, chegou a ser censurada na televisão, onde só era possível contemplar o busto do cantor enquanto fazia seu "show".

Aquela sociedade, que condenava simples movimentos de dança que ultrapassavam as linhas da boa conduta diante da época, definitivamente não saberia onde se enterrar ao ver "popozudas" do Funk quebrando tudo com "micro-shortinhos" e calçados de salto-alto que paralisam os olhares masculinos, pelo menos há um tempo atrás, hoje já ficou até chato. Enquanto um meio social tentava se recusar a absorver uma cultura anti-conservadora, outro meio social aceita sem remorso algum, algo que não deveria nem ter passado pela cabeça de um Elvis ou mesmo de seus fãs. Isso aí, hoje é normal ver o Pedrinho de 4 anos dançando o "Créu" e a Mariazinha de 6, "procurando o seu negão". O que causava vergonha e constrangimento em uma sociedade, se torna algo puramente normal em outra sociedade.

Portanto, cada geração se difere no ponto de vista civilizador, se adequando ao contexto social em que é inserida. As pessoas são influenciadas de acordo com o fluxo vivido pela sociedade, que muda constantemente, não por pensamentos individuais, racionalmente planejados, mas por uma série de fatores que empurram uma massa de indivíduos a seguir uma série de comportamentos e condutas. Assim, não podemos tratar a sociedade individualmente, pois o agente singular não é capacitado o suficiente para mudar um cenário social, ou você acha que Elvis surgiu do nada? Negativo, nosso falecido cantor era só um produto de uma série de designações promovidas pela época. A sociedade é uma coletânea somatória e desestruturada de muitas pessoas individuais, desta maneira, seu estudo deve ser incorporado coletivamente.

Aristóteles comparou analogicamente a sociedade e seus indivíduos com uma casa e as pedras utilizadas para construí-la, pois não se pode avaliar a estrutura da casa contemplando isoladamente cada uma das pedras que a compõe. Nem tampouco pode se avaliar esta estrutura desconsiderando as características de cada pedra, pois se as pedras forem de fácil encaixe, a casa terá uma estrutura uniforme e promoverá uma moradia agradável, porém, se forem deformadas, haverá uma dificuldade maior para promover o bem-estar dos moradores, que poderão enfrentar problemas como o mal tempo e animais. A sociedade e o indivíduo não devem ser tratados como meros opostos, pois estão sempre de mão dadas, ligados um ao outro.

Se pararmos para acompanhar o contexto social por décadas, fazendo um estudo detalhado afim de definir o "eu" e o "nós", perceberemos que ambos estão em constante transformação, impossibilitando uma conclusão definitiva para o comportamento dos dois. Um "eu" e um "nós" da década de 50 é diferente de um "eu" e um "nós" da década de 90. Assim falando, o tempo se mostra o grande divisor de águas do estudo, porém, devemos considerar também a simples distância ou mesmo a cultura singular a cada sociedade. Por exemplo, uma vila do interior do Ceará possui designações amplamente diferentes de uma grande cidade do leste asiático, isso é fato. Mas não podemos desconsiderar que é possível encontrar semelhanças, o que torna o estudo da Sociologia bastante motivador e intrigante.

Feliz dia dos Pais a todos os Papais, inclusive o meu! Abraço a todos!

domingo, 4 de julho de 2010

Brasil, poderia ser assim


Vamos reescrever a história. Século XV, época das grandes navegações, a América é descoberta por Colombo ao conduzir seus navios até às ilhas caribenhas, 8 anos mais tarde, Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil. Pero Vaz de Caminha em sua carta escreve só maravilhas do Brasil, a corte portuguesa se apaixona pela notícia e começa uma grande campanha de povoamento no novo mundo. Um povoamento inteligente, feito por educadas famílias portuguesas afim de explorar os recursos daquela terra para integral uso interno, sempre em paz com os Índios e com os estrangeiros que viriam mais tarde, como Holandeses e Franceses.

Os Holandeses povoariam o Nordeste e comandariam a produção de cana de açucar que renderia ampla riqueza para o país e fundariam a Nova Amsterdã em Pernambuco. A exploração do ouro renderia investimentos em educação e infra-estrutura para o crescimento ordenado da nação. A Independência viria logo cedo com a visível soberania Brasileira frente a corte Portuguesa, um grande escudo contra a exploração Inglesa, que não contou com o consumo perdulário dos Brasileiros após sua Revolução Industrial. A população bem educada seria inteligente suficiente para saber que adquirir itens como patins de patinação no gelo para um país tropical era desperdício, e a Inglaterra não lucraria tão demasiadamente sobre nós.

O Brasil dividiria a soberania das Américas com os EUA, que também vinha prosperando, mas sempre um pouco atrás da ex-Colônia Lusa, que a cada ano aparecia com novidades em sua indústria, como a invenção do "Silvismo", uma forma de produção em massa de veículos automotores criada por um Brasileiro chamado João da Silva (personagem fictício), esse se tornou um dos homens mais ricos e mais conhecidos do mundo, um retrato da prosperidade verde e amarela. Nosso país também se destacaria na Aviação, com a invenção de Santos Dumont, uma série de investimentos era voltada para o ramo, que encheu nossos cofres durante a primeira e segunda guerra mundial. O Brasil não participou, somente vendeu sua alta tecnologia para os países protagonistas. Pessoas fugiam a todo instante para nossa terra devido a Guerra, Asiáticos e Europeus principalmente, ajudando a combater o problema da mão de obra que começava a incomodar um pouco devido ao grande número de vagas de emprego ociosas.

Na segunda metade so século 20 o Brasil também forneceria ao mundo uma série de novas tecnologias, entre elas o Computador Pessoal, desenvolvido por Bill Freitas, filho de Português com Holandesa. O CP (Computador Pessoal) foi uma revolução na vida das pessoas e deu ao mundo uma velocidade incrível na troca de informações. Na década de 90 já seriamos a super potência, dona de 35% do PIB mundial. Além de toda prosperidade na indústria, o mundo dependeria de nós se tratando de fornecimento de alimentos devido a grande produção agrícola e agropecuária. A população mundial se interessaria em aprender o português para nos acompanhar com maior êxito.

Então, estamos no ano de 2010, somos a maior potência econômica do globo, nossa cultura derruba todas as barreiras, sim, temos Tailandeses dançando Forró, Suecos comendo Aracajé (os baianos criaram uma grande rede de comida rápida que se espalhou pelo mundo) e Ingleses vibrando ao assistir o Campeonato Brasileiro de Futebol, inclusive vestindo as camisas de nossos clubes. Falando em Futebol, nosso campeonato é algo parecido com a atual NBA, um certame milionário onde os craques nunca deixam seu país e os ingressos de temporadas que ainda acontecerão se esgotam rapidamente, somos hegemônicos no esporte, chegando à 10 títulos mundiais e prestes a sediar a quinta Copa em nosso território. O esporte é um dos meios mais utilizados para mostrar nossa força ao mundo, as Olímpiadas acabam sempre com o verde e amarelo em primeiro lugar, nossa mescla de raças nos enchem de talentos anormais para cada esporte. Participamos das Olímpiadas de Inverno, não com tanto êxito, mas nunca saimos em branco.

Nossa política é sublime, formada por homens e mulheres honestos, em busca de um país perfeito, o último acusado de corrupção foi condenado em 1948 e ficou 50 anos na prisão, bom para ele, pois permanecendo livre, a população nunca o perdoaria e sua vida seria um inferno. Falando em população, esta é um exemplo para todo o mundo, Brasileiros tem educação gratuita a vida inteira, somos formadores de grandes artistas, escritores, cineastas, engenheiros, legisladores, médicos, cientistas, educadores, etc. Somos a população que mais lê livros em média no mundo.

A urbanização do território é feita com muita precisão visando o mais alto padrão de logística e bem estar para uma qualidade de vida sem igual. As grandes cidades são aglomerações quase integralmente comerciais, lotadas de trabalhadores que moram nos subúrbios e vão ao trabalho de carros movidos a energia solar, não são tão rápidos, porém isso é compensado pela excelente malha viária espalhada por todo país, avenidas e ruas largas facilitam a locomoção e a educação dos condutores faz com que um simples trajeto de carro se torne bastante agradável, dificilmente você ouvirá uma buzina. Com a ocupação residencial de subúrbio, não haverá de maneira alguma algo perto de uma favela, o mais próximo disso são os bairros financiados pelo governo para as classes economicamentes inferiores, que mesmo sendo mais simples do que o normal, segue a risca os altos padrões de qualidade para uma vida plena e saudável.

Nossas praias, de Norte a Sul, e nossas florestas, Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal, etc, geram bilhões de reais por ano em função do forte turismo, lembrando que o Real é a moeda mais forte do planeta. O estado do Rio de Janeiro abriga as praias mais badaladas no ponto de vista internacional, tendo lugares semelhantes ao Principado de Mônaco, é o caso de Cabo Frio e Angra dos Reis. A praias da Bahia e as praias do Sul são lugares muito procurados por jovens, principalmente universitários. Acima da Bahia, restante do Nordeste, o litoral recebe a visita de milhões de pessoas ao ano, sim, o sonho de uma chinesinha pobre de 10 anos é conhecer Jericoacoara e milhares de jovens europeus juntam todas suas economias para fazer o triângulo dos ventos, uma expressão utilizada para definir a viagem por três badaladas cidades Brasileiras, são elas Fortaleza, Natal e Recife.

Os recursos da Amazônia são explorados com bastante cautela, sempre preservando a rica fauna e flora do lugar, o mercado farmacêutico Brasileiro é responsável por 80% dos medicamentos produzidos na história, grande parte da matéria prima é extraida nas florestas por grandes cientistas e industrializada no grande polo farmacêutico de Goiás, estado referência na produção de remédios. Essa indústria é fortalecida por um ótimo sistema de saúde, tudo patrocinado pelo governo, neste ramo, o Sul se destaca, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul são os estados mais procurados do mundo para tratamento médico.

São Paulo e Minas Gerais puxam as grandes indústrias, as maiores empresas se concentram nestes dois estados, que absorvem grande parte da produção agrícola e agropecuária vinda do centro-oeste e a transforma em produtos para comercialização. A indústria tecnológica comanda grande parte dos lucros, sempre inovando e surpreendendo o mundo. Tudo isso é voltado para o mercado interno e externo, no segundo caso, grande parte dos produtos saem de Santos até o Porto do Pecém no Ceará ou o Porto do Pará, pontos estratégicos de escoamento de produção para a Europa e a América do Norte. Além disso o Brasil possui bases portuárias na África do Sul e na Índia, o que facilita a distribuição para a Ásia por meio do oceano Índico.

Nossos vizinhos sul-americanos vivem bem e são altamente dependentes de nossa economia, algo parecido com o que acontece entre EUA e Canadá. Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e outros, possuem grande parte de seus PIBs controlados por nossas grandes empresas.

Enfim, imaginem tamanha hegemonia. Parece até fácil pensar, mas é claro que não devemos esquecer que há uma série de circunstâncias durante a história que dificultariam isto. Mas não custa nada imaginar um pouco. Se eu fosse escrever todo o contexto global num cenário de Brasil potência, daria para escrever um livro (huum, boa idéia, quem sabe no futuro). Há tanta coisa interligada que não daria para discorrer aqui, por exemplo, e o resto do mundo? E as energias? E o contexto diplomático? E os conflitos? A complexidade do mundo é desafiadora, e ao mesmo tempo inspiradora. Por isso não podemos ter um homem no comando, e sim vários, em busca de um acordo, em busca de paz e prosperidade mundial. É uma pena nosso país estar tão longe do que eu escrevi acima, mas se queremos chegar pelo menos a 20% disso, devemos segurar as rédeas e saber que temos o poder. O Brasil é nosso, o Mundo é nosso, as atitudes são nossas.

Para encerrar, vou deixar este vídeo, o qual achei muito interessante, em que um veterano da Guerra do Iraque discursa falando sobre o que sentiu ao defender seu país (EUA) naquela desnecessária carnificina. Hoje é 4 de Julho, Dia da Independência deles, tantos anos de Independência e nunca livres de si mesmos. Mesmo assim Parabéns.

Abraço a todos!