quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O rochedo e o marinheiro


A vida de um marinheiro
É cheia de incertezas
Repleta de coragem
E muitas surpresas

Não se pode parar
Nem para pensar
O marinheiro que para
Não poderia estar no mar

O marinheiro não tem tempo
Nem pra chorar e nem pra sorrir
Só tem um descanso
Até o novo partir

Carregando seus dias
De lutas e de glórias
Cicatrizando as feridas
Daquelas duras memórias

A sua alegria
É muito esperada
Não é duradoura
Mas é acumulada

Quanto tempo navegando
Cansado há de ficar
Mas tanto ama essas águas
Que não há de amansar

Marinheiro escutai-me
Pois tu sozinho não está
E aquele que algo busca
Algo encontrará

Quando houver um rochedo
E desviar não for possível
Não perca tua calma
Pois tu és invencível

Salve o que puder
E tenha paciência
Tua alma é pura
Chegará tua clemência

Deite na rocha
E não reclame
A noite passará
Será o fim do certame

Teu barco abatido
Ainda há de navegar
Abra suas velas
E não exite em acreditar

Os bons rumos meu caro
Certamente estão aí
Basta persistência
Na bela arte de descobrir

Mas antes de mais nada
Algo tenho a lhe alertar
O bom marinheiro
Por bons ventos sabe esperar

Agarre o esfregão
E guarde tua espada
O convés está sujo
Merecendo uma lavada

E quando tudo estiver limpo
Sente e aguarde
Os ventos do Oeste
Não virão tão tarde

Esteja em alerta
Prepare a tripulação
Pois no momento certo
Virá a nova missão

E aquela sujeira
Que tiraste do convés
Ficará no rochedo
E não haverá revés

Vejo-lhe em terra firme
Quando da glória chegar
Compartilhando teu ouro
Com um brilho no olhar

Sonhei contigo
E ao rochedo tu sorrias
Pois naquela noite
Começara o teu dia

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Global fraternity

How different is a Chinese compared to a Paraguayan? What about an English person compared to a Mexican? A Japanese compared to a Cuban? Since my early teen years I have been wondering how different people worldwide are. How do they think? How do they feel? Why people in Brazil say Europeans are cold? Europeans are not cold; they are just more private and deeper in their relationships. Brazilians are warm indeed, but in some cases they can be annoyingly warm, I would place myself between the two extremes, not so cold, not so warm, just between; imagine what you want out of it.

On my pursuit to answer those questions I left Brazil for the first time in 2011 for a volunteer year in Scotland together with people from different nationalities (Germans, Koreans, Hungarians, Scottish, Canadians etc), that was a great experience and I could for the first time live-in with non-Brazilian people. After a few months I came to the conclusion that, wow, we are all the same! Naturally we have our own individuality, no doubts about it, however we are fatally on the same human/spiritual race, we have the same emotions, we live similar dramas, we get happy for the same reasons and sad also for almost identical reasons, later on I could even more observe it as I gradually had other experiences in college with foreign students.

Indeed our cultural background makes us feel slightly far apart superficially, but in the end, once you have a chance to explore someone else from another country you will see how close we are to each other, how we are all humans even though we were born in a developed nation or not. When we are teens we try to adjust ourselves and have friends, when we are young we want different experiences, as more as we get mature we live the same adult issues and it goes on until the end. Thus we can also conclude that wars put in evidence how big our lack of communication and understanding is, and especially how vulnerable we are to insane ideologies, such as nationalism, socialism and also extreme worship of some religions that enchain so many nations in misery and suffering.

The nations of this planet might look on very different stages of development; a rich guy from New York might think he is light-years away from a poor farmer in the countryside of Bangladesh, but if we look upon an universal point of view, considering the Earth’s age and our short history we can quickly conclude that those two persons are actually very close and connected, and the grand grandfather of this rich guy was also a farmer trying to survive in the middle of nowhere. Overall we are all very connected and chasing the same purpose: happiness and well-being.

That’s why racism is something so stupid once you think about it rationally, it is even unnecessary to say that globalization will slowly defeats it until a point our culture and skin-color will be nothing more than a reason to celebrate the diversity and the richness of our planet’s beauty. When I think about racist people I realize how poor and fool they are for not enjoying the opportunities of living in harmony with people that could bring them a different point of view or any other thing to enrich their lives. I am not here trying to defend minorities; I am just standing for logical thinking.

I will probably not be here when this planet lives as one and without borders, it will still take some centuries to be accomplished, but for sure there will be a point when all of us will agree with each other and no more hate will lead us to violence, tyranny, persecution and consequently suffering. However I believe I will still be alive out of this body and have a chance to admire this age of peace and global fraternity.

In honor to the victims of the terrorist attack against liberty that took place yesterday in Paris.

(This text might contain a lot of English mistakes, grammar and some parts can look weird for a native speaker, writing in English makes me lose 80% of my vocabulary and sensibility to the words, however I'll only get better trying, thanks for the patience)

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Perder lutando

Caminhava o velho ancião pela vila que já não se mostrava vibrante e otimista como antes. Após as batalhas sangrentas pouca coisa restou, os guerreiros foram dizimados, as mulheres violentadas e as crianças escravizadas e enviadas para longe dali. Os que ficaram já não tinham mais esperanças, estavam cansados, com fome, sem força para se levantar da melancolia que ali se enraizava. A angústia tomava os corações daqueles que ainda viviam e o medo era uma constante. O velho ancião sentado e compenetrado em silêncio pensava no que fazer a partir dali, qual sentido ainda restava para aquele povo que acumulava derrotas em busca de um futuro melhor? O que dizer agora para os mais jovens? Como recomeçar e aceitar a nova realidade?

Pensava nos tempos que haviam passado, tempos de paz e poucas preocupações, fartura e alegria para todos, ocupações edificantes e uma plenitude que há muito tempo não se vivia. A lágrima do ancião escorria de seus olhos e se espalhava no chão de barro daquele dia nublado. Não havia força depois de tudo que havia acontecido, a esperança era fusca e Deus nunca pareceu tão distante daqueles seres que já não conheciam a razão de continuar vivendo. Em um fôlego de coragem o velho se levantou com dificuldade, parou por alguns segundos em pé e começou a caminhar vacilante, sábio, mas confuso, dirigiu-se a sua tenda onde pegou um pedaço de pão já velho, duro, que oferecia todo o sabor da humilhação. Comeu e ali mesmo ficou por alguns dias, sem dormir, sem descansar, ainda lembrando as cenas de desespero daquela batalha, enquanto longe dali o inimigo se deliciava com seus banquetes regados a vinho, luxo e soberba, sendo servidos por servos que há alguns dias eram jovens e crianças livres.

O velho ancião não entendia o que houvera acontecido, a vitória parecia tão próxima, onde aquele povo havia errado? Por que eram insistentemente atingidos pela desgraça? Tudo era cinza, não havia consolo. Foi então que o ancião cansou de esperar e se levantou com dificuldade, saiu pela vila reunindo aqueles que sobraram e juntou todos em área centralizada clamando:

- Meus filhos, olhem para vocês, olhem para mim, olhem para todos ao seu redor. Reparem nesses rostos desanimados, nessas mãos cansadas, nessas roupas em farrapos, lembrem-se desse momento onde a esperança não parece existir. Esqueçam o inimigo e o que fizeram, olhem para si mesmos. Vejam que ainda estão vivos, e onde há vida, ainda há esperança, sempre haverá. Não se preocupem com o passado e nem com o futuro. Não se sintam humilhados, pois sabem que tudo que poderia ser feito, foi feito, e assim ainda somos todos donos de nossa honra. Eu sei que não é fácil recomeçar, vejam o estado de nossa vila incendiada e destruída, por onde poderíamos começar?! Há tanto agora para se fazer, tanta dor para se viver, mas não podemos desistir. Chegou a hora de mudarmos, a verdade de ontem não é a verdade de hoje, teremos que nos libertar de todo o passado que nos perturba a alma e dar espaço para o novo, o novo deve estar no seu olhar, na sua fala, no seu caminhar e no seu respirar. O novo deve invadir cada lar e estar presente em cada ato de força, até que seja parte integral da vida de cada um de nós. Levantem-se meus filhos, vamos limpar e queimar o que já não serve e dar lugar ao que está por vir.

E a partir daquele momento eles se levantaram das sombras para o início de um novo ciclo, ainda cheios de feridas, mas agora mais maduros e cuidadosos, transformando a humilhação do passado nas lições do presente. Sempre lutando, seguindo em frente, tijolo a tijolo, reconstruindo o que foi destruído, agora mais forte e seguro, para que em uma futura batalha a glória reinasse no coração de cada homem e a paz contagiasse cada vida que o medo ultrajasse. Não importa o tamanho da destruição, o velho ancião sabia que sempre haveria maneiras de recomeçar em meio à confusão da dor, não importando o tempo necessário para que os primeiros resultados surgissem. Paciência, resignação, coragem e fé.